Bando ataca na saída de banco e foge de metrô

Quadrilha usa ?olheiros? em agências; vítimas quase nunca registram B.O.

Bárbara Souza, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

06 de abril de 2009 | 00h00

Sem alarde, quadrilhas especializadas na chamada "saidinha de banco" aterrorizam quase diariamente clientes que sacam dinheiro de caixas de agências bancárias próximas de estações do metrô na região da Avenida Paulista e do centro da capital. Após o assalto, bandidos entram na estação mais próxima, onde se misturam à multidão e escapam impunemente.Embora a "saidinha de banco" não seja um crime novo, a forma como ladrões vêm agindo nessas regiões dificulta sua identificação. Os bancos não se responsabilizam por assaltos cometidos fora das agências e agentes da Companhia do Metropolitano de São Paulo não podem deter os bandidos, uma vez que os crimes ocorrem fora das estações. Pior: "saidinha de banco" não entra como crime específico nas estatísticas da Secretaria da Segurança Pública - é registrada como roubo - e geralmente as vítimas não fazem boletim de ocorrência. "Registrar para quê? Esse dinheiro nunca mais vai ser recuperado", diz o gerente de cobrança J.P., que teve R$ 4.500 roubados no dia 26, quando saía de uma agência na Praça da Liberdade, no centro. Foi o segundo assalto em um mês - no outro, roubaram R$ 3.500. Ao menos seis comerciantes vizinhos foram vítimas do mesmo crime. "O que a gente faz quando não tem conta e precisa trocar um cheque?", pergunta uma babá de 23 anos que teve R$ 1.500 roubados na Paulista.As quadrilhas são formadas por quatro ou cinco pessoas. Um homem bem vestido identifica a potencial vítima dentro do banco e passa dados aos comparsas por celular. Os que estão fora recebem uma arma de uma mulher, que a esconde na bolsa antes e depois do crime, para não levantar suspeitas. A vítima é seguida a pé até chegar perto da estação. "Esse tipo de crime vem crescendo e é difícil de combater", admite o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada de São Paulo (Sesvesp), José Adir Loiola. Especialistas sugerem que operações bancárias de muito dinheiro sejam feitas sem que o cliente vá à agência. Mas muitos correntistas ainda resistem, alegando que taxas de DOCs e TEDs são altas.A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) informou que não sabia de assaltos recorrentes perto de estações, mas vai procurar o comando da PM para coibir esses crimes. "Embora sejam fora das nossas dependências, temos essa preocupação", disse o diretor setorial de Segurança Bancária da Febraban, Pedro Oscar Viotto. O Metrô salientou que já faz um trabalho com a polícia, além de contar com vigias uniformizados e à paisana. Mas pede que usuários que presenciarem situações suspeitas avisem os seguranças. A PM informou que tem conhecimento desse tipo de crime e prometeu passar hoje mais dados sobre ações que vem realizando. PROTEJA-SE Recomendação geral: Evite sacar grandes quantias em caixas. Prefira recursos como o TED e o DOC eletrônicosAtenção: Fique atento ao entrar no banco. Veja se há pessoas suspeitas. Ao sair, observe se está sendo seguido, sobretudo em dias de pagamento Companhia: Se precisar retirar dinheiro na agência, procure ir acompanhado de duas ou mais pessoas e peça para receber o valor em local reservado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.