Bando contava com barganha de vereador com prefeito

Escutas da PF mostram que a organização criminosa que mantinha o prostíbulo de luxo W.E. contava com uma barganha política a ser feita supostamente pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR), o Carlinhos, com a Prefeitura de São Paulo para manter o negócio aberto. A estratégia, segundo o coronel da reserva da PM Wilson de Barros Consani Junior revelou em um dos telefonemas, era a de Carlinhos conseguir com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) a permissão para que o prostíbulo permanecesse aberto enquanto a casa resolvia seus problemas com a Secretaria da Habitação e a Subprefeitura da Sé - o prédio, na Rua Peixoto Gomide, bairro de Cerqueira César, tinha 182 m² de construção irregular e o bar da W.E. não tinha alvará. Em troca, o vereador garantiria a aprovação de projetos de interesse do Executivo na Casa.Foi no dia 9 de abril que a PF flagrou essa conversa, que durou 5 minutos e 29 segundos. Eram 20h34. O diálogo é entre Consani e o gerente financeiro da W.E., Celso de Jesus Murad. Consani diz que havia acabado de sair da Câmara, onde afirma ter se se reunido com Carlinhos. Em seguida, ele passa a relatar o que, supostamente, o vereador lhe teria dito: "Palavra do próprio presidente com quem nós estivemos: ?Uma barreira foi vencida. O homem maioral não criou nenhum obstáculo. (...) Há algumas coisas aqui na Câmara que, estrategicamente, eles estão dependendo de eu tocar, né. Então, vou aproveitar a oportunidade para atendê-los e depois exigir que eles me atendam, porque há outras coisas que eu quero que me atendam?."Horas antes, naquele mesmo dia, a PF havia flagrado outro diálogo de Consani. Desta vez, com o genro e braço direito de Carlinhos, Fabiano Alonso. Este diz a Consani que o vereador estava, naquele momento, com Kassab para resolver o problema do prostíbulo. Kassab e Carlinhos negaram o encontro. "A reunião não aconteceu", disse ontem Kassab. "Eu nunca fui contactado com relação a esse assunto (manutenção do prostíbulo) e, portanto, da minha parte não tenho nenhum esclarecimento a dar."Carlinhos, por telefone, disse que mandaria ofício hoje pela manhã ao MPE para que se apure envolvimento de seus subordinados em eventual negociata para manter a W.E. aberta. "Se tiver algum culpado vai ter que pagar. Mas garanto e volto a afirmar, só falei com esse homem (Consani) uma vez só. Estão querendo me pressionar porque sou presidente da Câmara, eu estou de graça nisso."O vereador ainda defendeu com veemência o genro. "Se o Fabiano pedir um real eu renuncio ao meu mandato. É um menino de índole boa, nós prestamos serviço e nunca teve valor algum envolvido." Carlinhos fez questão de pontuar que seu nome foi citado por investigados na Justiça. "Uma pessoa investigada fala o que quiser, é preciso cautela."

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