Bando resgata presas na região de atentado a bar

A perua van Mercedes-Benz modelo Trafic, utilizada na operação cinematográfica da fuga de três presidiárias que eram medicadas, hoje pela manhã, no Pronto Socorro do Hospital Municipal Mário Degui, no bairro Rio Pequeno, em São Paulo, utilizou a mesma rota de fuga empregada pela perua Saveiro que disparou tiros de metralhadora contra cerca de 300 pessoas que se encontravam em um bar na Cidade Universitária na madrugada de ontem.As duas peruas fugiram pela rodovia Raposo Tavares em direção ao mesmo local, a favela do Jardim Jaqueline. Mas esta não é a única coincidência. Nos dois casos, os envolvidos eram rapazes jovens, aparentando entre 18 e 22 anos, armados com pistolas automáticas e uma incomum submetralhadora modelo Uzi.A operação de fuga, ocorreu pouco depois das 10h da manhã. As presas Mércia Cristiane Cabral, 32 anos; Luzimeire Alves Rocha, que também utilizava a identidade de Kelly Cristina Oliveira, 30 anos; e Deusdinélia Novaes Silva, 27 anos, haviam sido levadas da Cadeia Pública 4, de Pinheiros, para serem medicadas no hospital.Durante a noite, elas haviam reclamado de sangramento e dores fortes. Pela manhã, foram conduzidas ao hospital, escoltadas por apenas três carcereiros, um deles armado com um revólver calibre 38. ?Na cadeia existem mais de 600 mulheres presas e operações como estas são rotina?, conta Antonio Vieira dos Santos, integrante da escolta.Uma das presas acabara de entrar na sala de atendimento, quando um grupo de cinco homens, um deles empunhando a submetralhadora, invadiu o hospital, aos gritos. Era hora de visita na maternidade e a recepção estava cheia de gente. ?A ação deles não durou mais que quatro minutos. Apontaram a arma para a cabeça de uma enfermeira, nos renderam e levaram as presas?, lembra outra integrante da escolta, a carcereira Maria José Farias. Enquanto as presas eram resgatadas, do lado de fora do hospital quinze homens armados mantinham quietas cerca de 40 pessoas que se encontravam na calçada, esperando a hora de visitar parentes, ou no bar em frente. O dono do bar, Eutarcisio Alves da Silva, foi dominado por um dos integrantes do grupo e diz que chegou a pensar que era uma assalto.?Mas o sujeito foi até educado, mandou que ficássemos quietos, disse que a bronca não era com a gente e disse só para ninguém fazer besteira ou chegar perto do telefone?, conta Silva. Todos no chão - Quando o grupo saiu de dentro do hospital com as presas resgatadas, a quadrilha entrou dentro da Traffic, que esperava na porta com o motor ligado. Dois homens armados seguiram a pé, atrás da perua, por cerca de 80 metros disparando tiros para o alto. As pessoas se atiraram no chão, inclusive os jogadores e a torcida de dois times de futebol de várzea que disputavam uma partida no campo de futebol vizinho ao hospital. Dali, a perua partiu para o caminho mais improvável. Em vez de tomar o rumo da avenida, que estava livre àquela hora, entrou por uma pequena estrada de terra, que leva a uma sucessão de vielas e desemboca na Raposo Tavares. Moradores vizinhos ainda acompanharam a perua tomando rumo da favela do Jardim Jaqueline. O delegado Lourival Merioti, responsável pelo plantão do 51º Distrito Policial, onde foram atendidas as ocorrências da madrugada de sábado e a de hoje, não acredita em relação entre os dois crimes, mas também não descarta a hipótese. ?Só se fosse uma operação muito bem articulada e planejada?, supõe ele. Os responsáveis pelo bar Oscar?s, onde ocorreu o atentado na madrugada de sábado, afirmaram hoje que foram procurados por investigadores da Polícia Civil que trabalhavam com esta hipótese.?Eles perguntaram muito sobre como eram os rapazes e disseram que eles podiam ter feito aquilo para despistar a polícia?, comenta o gerente do bar, Sérgio Melo. Cléa Aparecida de Jesus, mãe do proprietário do Oscar?s, também afirma que foi ouvida pelos policiais. ?Eles fizeram isso para tirar a polícia do distrito e poder fazer o resgate em paz?, imagina ela.

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