Bando rouba caixa-forte com explosivo; polícia recupera R$ 5 mi

Para policiais, total levado da Protege, na Lapa, pode chegar a R$ 20 milhões; dois ladrões foram mortos na fuga

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2012 | 00h00

Uma quadrilha de 20 ladrões armados com fuzis e submetralhadoras usou explosivo militar C4 para invadir ontem a sede da transportadora de valores Protege, na Lapa, zona oeste de São Paulo. A quadrilha errou na quantidade do explosivo, o que fez o alarme da empresa disparar. A polícia foi chamada e trocou tiros com os bandidos, que abandonaram R$ 5,1 milhões em três carros. Dois suspeitos morreram. Por enquanto, não se sabe o total levado pelos assaltantes que fugiram, mas a polícia estima que esse valor pode ficar entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões. O erro no tamanho da carga de explosivo quase pôs a perder todo o plano. Os bandidos passaram quatro horas preparando o C4 para abrir um rombo em uma parede para entrar na tesouraria da empresa. "Mas eles exageraram na dose. A explosão derrubou a parede e uma parte do teto, o que acionou o alarme", afirmou o delegado Lupércio Dimov, titular do 7º Distrito Policial (Lapa). Até o começo da noite de ontem, a empresa não havia terminado o levantamento do prejuízo. "Só hoje vamos saber o valor exato", disse Dimov. Caso esse valor seja confirmado, se tratará do maior roubo do ano no Estado - até então o maior havia ocorrido em 6 de agosto, quando assaltantes levaram R$ 9,8 milhões da sede da transportadora de valores Prosegur, no Cambuci, no centro de São Paulo. A ação da quadrilha começou por volta das 23 horas de anteontem, quando os assaltantes dominaram o vigia que trabalhava na marmoraria Galeria Della Pietra, vizinha da sede da Protege. Os bandidos foram até o local exato em que ficava a parede da tesouraria da Protege, o que indica, segundo a polícia, que eles tinham informações sobre o lugar. Ali, os bandidos colocaram o C4 na parede e estenderam por cerca de 20 metros a fiação até o detonador. O dispositivo contava com uma bateria de caminhão para acionar o explosivo. Esse trabalho durou até as 3 horas de ontem, quando os bandidos detonaram a carga. "O assalto em si foi rápido. Não durou cinco minutos", afirmou o delegado. Encapuzados, cerca de 20 homens armados com fuzis e submetralhadoras entraram na empresa dando tiros para o alto. Dominaram quatro funcionários que estavam na tesouraria e passaram a recolher os malotes com o dinheiro. O barulho da explosão foi ouvido por policiais militares que faziam a ronda no bairro. Em seguida, os PMs receberam a informação de que o alarme da empresa havia sido acionado, o que indicava um roubo em andamento. Quando chegaram ao lugar, os policiais deram de cara com os ladrões, que saíam da Protege. Houve tiroteio. Os assaltantes abandonaram o local em quatro carros. Em um Marea, havia R$ 3,9 milhões. Em uma picape Montana, os PMs recuperaram R$ 324 mil e em um Polo havia um pouco de C4. Eles ainda deixaram um Honda Fit perto da Protege. Em meio à confusão, os PMs perseguiram um dos carros usados pelos bandidos: tratava-se de um Polo onde estavam dois homens. Os criminosos rumaram em direção à Ponte do Piqueri, onde entraram na Marginal do Tietê, no sentido da Rodovia dos Bandeirantes. Ali, eles entraram no Rodoanel e, depois, na Avenida Raimundo Pereira Magalhães, onde os suspeitos bateram o carro. Segundo os PMs, os dois saíram do veículo atirando. Acabaram baleados e levados ao pronto-socorro do Hospital de Parada de Taipas, onde morreram. No Polo, foram achados mais R$ 919 mil. Com os dois, os policiais encontraram documentos em nome de Sidnei Arlei Gomes de Araújo e Robson da Silva. O primeiro já esteve preso sob as acusações de roubo, furto, formação de quadrilha e porte ilegal de arma. Estava em liberdade desde 2006. Silva, de acordo com a polícia, nunca havia sido preso. A polícia agora quer saber se os documentos são verdadeiros e descobrir quem são os comparsas dos dois acusados. O celular de um dos suspeitos mortos foi apreendido pelos policiais, que vão rastrear as ligações efetuadas. "Pedimos ainda perícia para todos os carros em busca de impressões digitais", afirmou o delegado. Além dos painéis e vidros dos carros, os peritos também iam analisar os copos e garrafas abandonadas pela quadrilha na marmoraria. "Eles beberam enquanto trabalhavam na colocação da carga explosiva", disse Dimov. Apesar de os bandidos estarem encapuzados, a polícia vai analisar também as imagens do circuito interno da Protege em busca de pistas. O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) também apura o caso. DETALHES Espera: enquanto preparavam a explosão da parede, os ladrões beberam cerveja e refrigerantes. Com isso, podem ter deixado pistas para os investigadores Explosivos: o bando usou uma bateria de caminhão para detonar os explosivos. O C-4 é de uso exclusivo do Exército e mais potente que o usado para derrubar pedreiras Segurança: a empresa não divulgou quantos guardas armados faziam a segurança do local no momento do roubo. Mas a polícia afirma que havia apenas um Celular: o aparelho de telefone celular encontrado no carro de um dos bandidos é uma das principais pistas para encontrar os ladrões

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.