Barbiere diz ter avisado governo

O deputado Roque Barbiere (PTB) reafirmou na sexta-feira à TV TEM, afiliada da Rede Globo, as acusações contra colegas da Assembleia Legislativa. E foi além: afirmou que pelo menos duas secretarias do governo - Planejamento e Casa Civil - foram alertadas por ele.

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2011 | 03h04

Em nota ao Estado, as duas pastas informaram nunca ter recebido nenhum ofício ou mesmo relato de Barbiere sobre o caso. As secretarias teriam tido ciência da denúncia apenas pela imprensa e, em seguida, pedido ao deputado "elementos que permitissem a apuração de casos concretos". "O Governo apoiará a apuração e se coloca à disposição para colaborar com as investigações", diz a nota.

As novas declarações foram dadas por Barbiere no mesmo dia em que o Estado revelou que o Ministério Público investiga o suposto esquema a partir de um vídeo gravado em agosto.

Na nova entrevista, Barbiere repetiu que 30% dos colegas vendem emendas e intermedeiam negócios entre empreiteiras e prefeituras paulistas. O deputado disse ter provas do que fala e ser capaz de detalhar a atuação dos corruptos. Serão revelados dois ou três dos envolvidos no caso e quais partidos participam do balcão de negócios da Assembleia, segundo ele, caso seja chamado a depor em caráter oficial. "Sinto-me na obrigação", disse o parlamentar.

Ao fazer a acusação pela primeira vez, no entanto, Barbiere afirmou o contrário: "Poderia (dar os nomes), mas não vou ser dedo-duro", declarou ao programa Questão de Opinião, em um canal de internet, no dia 10 de agosto.

Outros deputados foram procurados pela TV TEM para opinar sobre o episódio. Carlos Eduardo Pignatari (PSDB), Itamar Borges (PMDB), João Paulo Rillo (PT) e Orlando Bolçone (PSB), cada um ao seu modo, tiveram uma mesma posição: disseram-se surpresos, desconheceriam qualquer rede de corrupção instalada na Assembleia e pedem investigações aprofundadas. Querem que os culpados sejam punidos e que as acusações não respinguem sobre os parlamentares inocentes.

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