Barbosa põe suplentes do DF na lista da propina

Procurador quer afastar 16 deputados do processo de impeachment de Arruda

Leandro Cólon e Carol Pires / BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

Em um novo depoimento ao Ministério Público, no dia 10 de março, Durval Barbosa detalhou como governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, teria "comprado" o apoio não só de deputados, como também de suplentes e políticos derrotados em eleições. Delator do esquema do "mensalão do DEM", Barbosa esclareceu aos procuradores o conteúdo de planilhas apreendidas pela Polícia Federal.

"É a contabilidade dos pagamentos feitos ao grupo de apoio político do governador", disse ele. O Estado obteve as quatro tabelas, que motivaram o Ministério Público a entrar com novo pedido na Justiça para afastar 16 parlamentares e suplentes da votação no processo de impeachment contra Arruda.

Uma tabela se divide em "débito", "crédito" e "saldo". No 12.º quadro, está a sigla "BC" e ao lado R$ 8 mil como "débito". O valor seria uma remuneração mensal e a abreviação, diz o depoimento, seria de Batista das Cooperativas (PRP), primeiro-secretário da Câmara e responsável por notificar Arruda sobre o processo de impeachment. "BD" seria referência ao deputado Benedito Domingos, com o valor de R$ 3 mil por mês.

Em outra planilha, aparecem anotações com os nomes de 14 suplentes e valores ao lado. Barbosa afirma que R$ 53 mil mensais eram rateados por essas pessoas. "Um político não vai vender o seu apoio por apenas dois mil reais pagos de uma única vez", disse o delator.

Pacotes de dinheiro. Durval Barbosa contou ter presenciado uma reunião de Arruda com esses suspeitos no ano passado. "Vi em cima de um aparador ao lado da mesa do almoço diversos pacotes de dinheiro", afirmou no depoimento.

Os recursos, segundo ele, eram destinados ao "apoio político para José Roberto Arruda", que está preso na Polícia Federal desde 11 de fevereiro.

Foram identificados por Durval os suplentes Ricardo Noronha (R$ 4,5 mil), Aires Costa (R$ 7 mil), Pastora Keila (R$ 2,3 mil), Eliovaldo (R$ 3,7 mil), Valter P-Sul (R$ 3,5 mil), entre outros. No final, duas somas: R$ 77.440 e R$ 53 mil. Ao lado, mais 13 nomes, com o título "novos".

Segundo Durval Barbosa, até a presidente da associação de um condomínio estaria nessa relação. Esse documento foi apreendido na casa do ex-presidente da Câmara Legislativa Leonardo Prudente, conhecido como "deputado da meia", que renunciou ao mandato para escapar da cassação.

O depoente afirmou que esse documento refere-se a apoio a Arruda, minimizando a importância política de Prudente. Segundo o delator, o ex-deputado "não teria cacife" para ter essas pessoas ao seu lado.

Mesma versão. Ontem, seis deputados adotaram a mesma versão para outro documento apreendido com Prudente: um manuscrito com valores entre R$ 10 mil e R$ 14 mil ao lado. Os nomes corresponderiam a Milton Barbosa (PSDB), Rogério Ulysses (sem partido, ex-PSB), Raimundo Ribeiro (PSDB), Eurides Brito (PMDB), Benedito Domingos (PP) e Jaqueline Roriz (PMN). Esta última é filha do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), antigo aliado e hoje adversário de Arruda.

Barbosa ainda afirmou que, em outra tabela, cinco nomes foram escritos com abreviações cujas iniciais estão invertidas. São eles: Paulo Roxo, Fábio Simão, José Eustáquio Oliveira e Domingo Lamoglia e Renato Malcotti, todos aliados de Arruda. Segundo o depoente, eles eram os principais operadores do esquema de corrupção.

Ex-secretário de Relações Institucionais, Barbosa aceitou em setembro a delação premiada: apontou as irregularidades em troca de diminuição da pena nos inúmeros processos que sofre na Justiça.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.