Barcas da Baía de Guanabara vão ser trocadas

As antigas barcas de passageiros que circulam pela Baía de Guanabara serão substituídas por modelos mais rápidos e modernos. As embarcações, com idade média de 40 anos, serão trocadas a partir de 2003 pela empresa Barcas S.A., que pretende inaugurar ainda duas estações, projetadas por Oscar Niemeyer, além de um prédio com o acervo do arquiteto.As embarcações, que fazem o percurso Rio-Niterói, transportam 75 mil passageiros em dias normais e deverão ser trocadas a partir de dezembro de 2003. A linha existe desde 1835,quando era operada pela Companhia de Navegação de Nitheroy. Foi o primeiro serviço regular de navegação a vapor a ligar os municípios. Até então, o trajeto era feito com botes e saveirosimpulsionados por escravos.À medida que forem substituídos, os barcos velhos serão utilizados para passeios turísticos nos fins de semana ? no interior da baía, ao preço de R$ 8,00 e com duração de duas horas - ou fretados para a realização de festas. O mais antigo data de 1951. A Barcas S.A. quer colocar em circulação duas novas embarcações a cada quatro meses, até que 10 dos 18 barcos da frota sejam trocados. O trajeto será encurtado de 25 para 10 minutos, mas a passagem continuará a custar R$ 1,50. Os novos modelos terão dupla proa, o que dispensará a manobra feita hoje na chegada às estações, poupando tempo.Quem transita entre as duas cidades diariamente, como o marinheiro Pablo Bragança, de 24 anos, comemora a novidade. ?Gosto de olhar a vista, mas quanto mais rápido, melhor. Sóacho uma pena aposentar as barcas antigas?. Já a enfermeira baiana Juliana Prata, de 20 anos, que se mudou para Niterói há sete meses, acha que o passeio não deveria ser encurtado. Elagosta de admirar a paisagem - das barcas, é possível ver o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, a Ponte Rio-Niterói e a Ilha Fiscal. ?Ainda não me acostumei com essa beleza?.Obras - O estaleiro da Barcas S.A., que fica na Ponta D´Areia, em Niterói, já está sendo adaptado para construir as embarcações modernas. A tecnologia é importada da Itália e amão-de-obra será treinada por técnicos europeus. Serão investidos R$ 265 milhões em recursos do Fundo de Marinha Mercante do governo federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).Mas as mudanças não serão só nas barcas. O centro de Niterói ganhará novo terminal de passageiros, que interligará o sistema das barcas com o dos ônibus e o futuro metrô que ligaráa cidade a São Gonçalo, e um estacionamento para mil carros. Será criada ainda uma estação no bairro de Charitas, que vai beneficiar os moradores da zona sul e da região oceânica. O trajeto Rio-Charitas será feito em barcos menores, de 200 passageiros, em 17 minutos.As obras, que já começaram, farão parte do Caminho Niemeyer, que vai incluir a Fundação Niemeyer. A instituição guardará o acervo de trabalhos do arquiteto, desde o início desua carreira, e oferecerá cursos de artes plásticas, desenho, pintura e escultura. O investimento será de R$ 21 milhões.História - A Praça 15-Niterói é a principal linha da Barcas S.A. A empresa também faz os percursos Praça 15-Ribeira (na Ilha do Governador), Praça 15-Paquetá, Mangaratiba-IlhaGrande e Ilha Grande-Angra dos Reis (no litoral sul fluminense). A linha até Paquetá foi a segunda a surgir, em 1877, com a Companhia Ferry, concorrente da Companhia de Navegação de Nitheroy e Inhomerim (resultado da fusão da antiga Nitheroy com a Cia. Inhomerim).A estação hidroviária de Niterói foi inaugurada em 1956. Três anos depois, por causa de constantes atrasos e paralisações nas barcas, a população incendiou as instalações. O presidenteJuscelino Kubitschek assinou então um decreto declarando os bens das companhias operadoras de utilidade pública. Castelo Branco, em 1967, autorizou a constituição de uma sociedade de economia mista, destinada a explorar os serviços na baía. A Companhia de Navegação do Estado do Rio (Conerj), que sucedeu o Serviço de Transporte da Baía de Guanabara (STBG), foi privatizada em 1998, quando a Barcas S.A. assumiu.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.