XANDO PEREIRA/AGÊNCIA ATARDE
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Barco naufraga na Bahia; Marinha confirma 18 mortos

Lancha com 124 a bordo enfrentou vento e chuva na travessia entre a Ilha de Itaparica e Salvador; testemunhas dizem que, ao tentar se abrigar do mau tempo, passageiros fizeram a embarcação virar

Cleusa Duarte e Heliana Frazão, Especiais para O Estado

24 Agosto 2017 | 09h53
Atualizado 24 Agosto 2017 | 23h33

Uma lancha com 124 passageiros a bordo naufragou por volta das 6h30 desta quinta-feira, 24, próximo da Ilha de Itaparica, na Bahia, deixando pelo menos 18 mortos. Os números oficiais indicavam 89 sobreviventes. Foi o segundo naufrágio no País em menos de 48 horas. Considerando a confirmação de mais 11 óbitos no Pará, o número de mortes nos dois acidentes chegou a 39.

O naufrágio desta quinta aconteceu no mar entre a Ilha de Itaparica e Salvador, onde a embarcação Cavalo Marinho 1, de propriedade da CL Transporte Marítimo, encalhou, logo depois de sair de Mar Grande com a capacidade máxima. Havia chuva e vento, e o barco virou após dez minutos de percurso. Um chamado de emergência para a Capitania dos Portos foi recebido pelo rádio por volta das 8 horas, quando teve início a mobilização das equipes de resgate, com cerca de cem homens. As equipes negam que tenha havido demora no socorro.

De acordo com as agências de controle estadual, a embarcação correspondia às exigências legais para transporte de passageiros, estava plenamente regularizada e sem superlotação. Os sobreviventes relataram que, ao tentar se proteger da chuva, os passageiros fizeram peso de um dos lados da embarcação. 

Emocionada, ao lado da filha no Hospital-Geral do Estado (HGE), a administradora de empresas Meire Reis, de 53 anos, relatou que os coletes salva-vidas estavam amarrados e com um nó difícil de desfazer (veja depoimento aqui). “Foi um desespero total.”

Meire foi salva por um voluntário que andava de lancha nas proximidades. “O socorro oficial demorou”, disse, amparada por um amigo da família, Felipe Almada, de 27 anos, estudante de Bacharelado Interdisciplinar da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Quando a filha soube, ligou para nossa casa e fomos dar apoio. Moramos em Salvador e corremos para o terminal marítimo.”

O sonoplasta Edvaldo Santos, de 51 anos, também conseguiu se salvar e reclamou da demora nas equipes de salvamento. “Um absurdo. Levaram duas horas para chegar e estávamos próximos do atracadouro.”

Almada conta que ao chegar ao HGE já estava tudo preparado para receber os acidentados. “Nunca esperávamos o atendimento neste nível. Foi efetivo e de primeiro mundo.”

O presidente da República, Michel Temer, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), divulgaram notas de pesar nas redes sociais. “Colocamos à disposição estrutura federal para ajudar nas buscas e no apoio aos sobreviventes. As causas dos acidentes precisam ser apuradas”, afirmou Temer.

"Assim que recebemos uma chamada de emergência por rádio, enviamos três embarcações de resgate com médico a bordo e todos as equipes para prestar socorro", afirmou o oficial da Marinha, Jean Torres Araújo. Uma das vítimas foi transportada para o Hospital do Subúrbio, em Salvador. A avaliação da lancha será feita pela Marinha. Ela analisará a regularização da embarcação e se operava com número de passageiros acima do permitido. Por conta disso, a Secretaria de Segurança Pública informou que um inquérito será aberto para que as causas do acidente sejam apuradas.

Ao Estado, a assessoria de imprensa da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) afirmou que a embarcação estava com a documentação em dia.

Nas redes sociais, a CL Transporte Marítimo declarou que a lancha estava "devidamente vistoriada e em dias com as documentações". "Lamentamos profundamente o acidente ocorrido com a Lancha Cavalo Marinho I ocorrido na Baia de Todos os Santos, as 6:45h da manhã transportando 129 passageiros (mais tarde, a informação era de que estavam a bordo 124 pessoas). A CL está comprometida em assistir todos os passageiros envolvidos, bem como suas famílias, promovendo informações e assistência", comunicou no Facebook.

Costa decretou luto oficial de três dias no Estado. Uma avaliação da lancha será feita pela Marinha, que também analisará a documentação. A Secretaria de Segurança Pública também abriu um inquérito para apurar as causas do acidente. O resgate deve prosseguir nesta sexta, 25.

Luto. Nove corpos de vítimas retirados da Baía de Todos os Santos foram liberados para sepultamento em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo, e quatro estão em necrotérios de hospitais. Outros cinco foram levados para o Instituto Médico-Legal (IML) de Salvador, onde o clima era de consternação. 

Os filhos de Ivonildes Gomes da Silva, de 70 anos, estavam desolados. A mãe fazia a travessia sempre às terças-feiras, mas deixou para esta quinta-feira uma consulta ao oftalmologista. “O destino tem dessas coisas”, lamentou um deles. / COLABORARAM JULIANA DIÓGENES, ANA PAULA NIEDERAUER e PRISCILA MENGUE

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