Barco sem licença para levar gás explode, mata 3 e fere 4

Embarcação transportava 600 botijões e um deles tinha vazamento em uma das válvulas

Carlos Mendes, BELÉM, O Estadao de S.Paulo

20 Fevereiro 2009 | 00h00

Um barco com 600 botijões de gás que estava ancorado em um porto particular na orla da Baía do Guajará, em Belém, explodiu na madrugada de ontem, provocando a morte de três pessoas e ferimentos em outras quatro. A polícia e a Capitania dos Portos do Pará abriram inquérito para apurar a responsabilidade do proprietário da embarcação Anjo da Guarda pelo acidente. Um dos botijões apresentava vazamento em uma das válvulas e explodiu no momento em que o motor do barco foi ligado.O tenente Marco Antonio Araújo Costa, da capitania, informou ao Estado que o barco não tinha autorização para transportar carga perigosa, embora esteja habilitado no órgão para o transporte de outros tipos de carga. O inquérito administrativo tem prazo de 90 dias para ser concluído. A maior penalidade que o dono do barco pode sofrer é o pagamento de multa, no valor máximo de R$ 3 mil. Costa disse que embora a capitania realize fiscalização na orla de Belém, até mesmo por terra, "não tem capacidade de estar em todos os lugares ao mesmo tempo" para flagrar eventuais crimes. "Fazemos um trabalho de conscientização com tripulantes, proprietários e passageiros", resumiu. Uma carga como a do Anjo da Guarda, completa o major Carlos Reis, teria de ser armazenada em local aberto e ventilado. "Uma balsa é o veículo mais adequado", explicou Reis. O Anjo da Guarda iria zarpar com destino ao município de Cachoeira do Arari, na região de Marajó, norte do Pará. A embarcação começou a ser periciada ontem pelo Corpo de Bombeiros e Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.Dois tripulantes do barco, Waldenora da Silva Ramos, de 33 anos, e Cleber Cristino Serrão, de 28, morreram na hora. Ismael Davi, de 25, ainda chegou a ser levado em estado grave, com queimaduras de terceiro grau, para o Pronto-Socorro Mário Pinotti, mas não resistiu e morreu no final da manhã. Os feridos Carlos Gemaque, de 32 anos, e Cláudio da Silva Beltrão, de 42, além de um terceiro não identificado, estão no setor de emergência do hospital, com escoriações pelo corpo. O estado de saúde deles é estável. O quarto ferido, também não identificado, foi levado para o Hospital Metropolitano. Os médicos disseram que ele apresenta queimaduras de segundo grau. "Acordei com um grande barulho. Pensei que a terra estava tremendo, pulei da cama e saí correndo para a rua", contou o serralheiro Orlando Favacho, que mora em uma vila próxima do local da explosão. A feirante Jesualda de Jesus Souza, outra testemunha, também ficou assustada. Ela disse que destroços do barco ficaram espalhados pela área do porto Caravela, onde a embarcação estava ancorada. "Tinha muito botijão na água, mas a polícia logo chegou, evitando que fossem furtados." FRASESMarco Antonio A. CostaTenente"(A capitania) não tem capacidade de estar em todos os lugares ao mesmo tempo."Jesualda de Jesus SouzaFeirante"Tinha muito botijão na água, mas a polícia logo chegou, evitando que fossem furtados."

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