Barco vira no Rio São Francisco, dez morrem e criança está desaparecida

Embarcação com capacidade para 6 pessoas levava 18 da mesma família no Lago de Sobradinho, município de Pilão Arcado-BA

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2010 | 19h15

Dez pessoas morreram - nove crianças, de entre 1 e 11 anos, e uma adolescente de 16 - e uma menina de 10 anos está desaparecida desde o fim da tarde deste domingo, quando uma pequena embarcação naufragou no Lago de Sobradinho, barragem do Rio São Francisco, no município de Pilão Arcado (BA), a 740 quilômetros de Salvador, no norte do Estado.

 

No total, o barco, do tipo rabeta - comum entre pescadores da região -, com capacidade para seis pessoas (sem carga), levava 18 pessoas, todas da família de Levenita Souza. Os mortos e a menina desaparecida eram netos ou bisnetos dela.

 

Segundo informações da Delegacia de Pilão Arcado, que investiga o caso, o barco era conduzido pelos irmãos Ailton e Raimundo Andrade e naufragou, por volta das 16 horas, nas proximidades do povoado de Alto do Galvão, a 18 quilômetros da sede do município.

 

O socorro aos náufragos começou pouco depois, quando um pescador avistou os sobreviventes, mas a correnteza era forte. Cerca de 20 policiais, militares e civis, participaram dos trabalhos, ajudados por moradores da região, na noite de ontem, mas integrantes de equipes de salvamento do Corpo de Bombeiros só chegaram ao local no fim da manhã de hoje, porque tiveram de se deslocar de Juazeiro, a cerca de 300 quilômetros. Durante o dia, as equipes utilizaram lanchas e equipamentos de mergulho para localizar os corpos.

 

Peritos da Polícia Técnica e da Capitania dos Portos do São Francisco apuram as causas do naufrágio. Segundo o delegado Arnóbio Dionísio Soares, as primeiras análises apontam para o excesso de peso, apesar de alguns relatos informarem fortes ventos na região. Se a suspeita for confirmada, Ailton e Raimundo podem ser indiciados por homicídio doloso - com dolo eventual - quando se assume o risco de matar.

 

"Eles têm experiência como pescador, conheciam os riscos de transportar tantas pessoas", avalia o delegado. De acordo com ele, o transporte informal de pessoas pela barragem em barcos de pesca é comum, apesar de não ser regulamentada - ou fiscalizada.

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