Murilo Tinoco/Divulgação
Murilo Tinoco/Divulgação

Barrada em voo com neto, coreógrafa Deborah Colker vai processar empresa aérea

Comandante se recusou a decolar por causa de doença de pele não contagiosa de menino de 4 anos

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

19 Agosto 2013 | 21h33

A coreógrafa Deborah Colker pretende processar a Gol Linhas Aéreas por danos morais. O motivo foi o constrangimento que ela, a filha, o genro e, principalmente, o neto de 4 anos sofreram no voo 1556 em que viajaram nesta segunda-feira (19), no trecho de Salvador ao Rio. Tudo começou quando o comandante da aeronave se recusou a decolar por causa de uma doença de pele não contagiosa de Theo. “Nunca passei por algo semelhante”, disse Deborah.

O garoto sofre de uma doença genética, epidermólise bolhosa, que deixa a pele tão sensível que a mais suave fricção pode provocar bolhas e úlceras similares às de uma queimadura de segundo grau. Mas não é transmissível. Deborah, que já viajou com o neto até para os Estados Unidos sem nunca ter sido incomodada, contou que o incidente começou já no check-in, quando um funcionário da companhia questionou o problema do menino.

O pior, no entanto, aconteceu dentro da aeronave. “As portas já estavam fechadas quando o comandante me avisou que não viajaria se eu não apresentasse um atestado médico”, disse a coreógrafa. “Como obviamente eu não dispunha, ele chamou um funcionário da Infraero.” Enquanto isso, dois agentes da Polícia Federal ficaram do lado de fora do avião.

Deborah, uma das mais importantes coreógrafas do Brasil (chegou a comandar espetáculos do Cirque du Soleil), disse que tentou não utilizar o fato de ser conhecida para se impor. “Mas não tive outra escolha”, contou ela, que passou ao menos 45 minutos sofrendo constrangimento com a negativa do comandante até de ir à cabine de passageiros.

Médica. “O que me deixou emocionada foi a solidariedade dos outros passageiros”, comentou. “Todos ficaram horrorizados com o que estava acontecendo.” Enquanto a ação se desenrolava, diversas pessoas relataram o fato nas redes sociais.

Uma médica presente no avião pediu à coreógrafa para examinar o menino e, ao constatar que não se tratava de uma doença transmissível, também tentou convencer o comandante da partida. Ele só consentiu quando recebeu um papel escrito à mão pela médica, constatando o diagnóstico.

Ao desembarcar no Rio, Deborah recebeu mais gestos solidários, com passageiros se oferecendo como testemunhas. E, ao longo do dia, ela também foi contatada por médicos, dispostos a assinar laudos comprobatórios.

A coreógrafa disse até ter recebido um telefone do presidente da Gol, Paulo Kakinoff, desculpando-se. “Mesmo assim, eu disse a ele que pretendo processar a companhia – para dar um exemplo.” A Gol, em nota oficial, esclareceu que analisa o ocorrido e tomará as medidas cabíveis.

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