Barragem ameaça romper e causa pânico em PE

O que deveria ser motivo de alegria para os moradores da pequena cidade Carnaíba, localizada no sertão pernambucano, se transformou em pânico. Ontem, após dois dias de chuva intensa na região, a barragem de Chinelo - distante apenas 3 quilômetros do centro da cidade - transbordou e ameaçou romper. O clima de medo que se instalou entre os seis mil moradores do município provocou uma fuga em massa. Centenas de pessoas buscaram abrigo na casa de parentes e amigos, localizadas em áreas altas da cidade, e no hospital municipal.Hoje, dezenas de técnicos da Comissão de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe), da Companhia Pernambucana de Água (Compesa) e do Corpo de Bombeiros iniciaram uma série de pequenas intervenções no local, como forma de evitar o rompimento da barragem. As comportas foram abertas e o nível de água baixou consideravelmente. Apesar disso, o temor de uma inundação ainda é grande entre a população, que permanece distante das áreas mais próximas do reservatório. Até mesmo o prefeito, José Francisco Filho (PMDB), deixou sua residência, localizada em área de risco.Os técnicos vão continuar trabalhando no local, reforçando o paredão da barragem, que está bastante consumido pela erosão. De acordo com a Secretaria Estadual de Infra-Estrutura, o paredão será aumentado em um metro e as obras acontecerão durante toda esta semana. Nas últimas horas choveu em todo o Sertão do Pajeú. Somente das 7h da quarta-feira às 7h de anteontem, a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) registrou 95 milímetros de chuva no município. O índice acumulado dos últimos três dias já chega a 387 milímetros. Por conta disso, a pequena barragem de Chinelo atingiu rapidamente sua capacidade total - cerca de 4 milhões de metros cúbicos de água - e acabou transbordando mais de um metro e meio acima do talude, uma construção erguida em 1976.A professora Elide Soares, 47, foi uma das moradoras que abandonou tudo com medo de perder a vida. "Já madrugada de quinta-feira, ouvi um barulho danado na rua. Quando olhei pela janela vi o povo correndo de um lado para o outro. Uma amiga bateu em minha porta e avisou que a barragem poderia estourar. Acordei meu marido e meus filhos, peguei algumas roupas e comida e saímos corremos de lá. Só volto quando tiver certeza de que estamos seguros", contou. Elide está alojada, com outras 132 famílias, no único hospital público de Carnaíba.

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