Polícia Ambiental/Divulgação
Polícia Ambiental/Divulgação

Barragem se rompe e deixa ao menos 50 famílias isoladas em Rondônia

Rompimento de barragem da mineradora Metalmig não teria deixado vítimas; MP abriu inquérito para apurar responsáveis

Redação, O Estado de S. Paulo

30 de março de 2019 | 17h53

SÃO PAULO - Ao menos uma barragem da mineradora Metalmig se rompeu na tarde de sexta-feira, 29, no distrito de Oriente Novo, em Machadinho D'Oeste, no interior de Rondônia, a cerca de 300 quilômetros de Porto Velho. Segundo a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), a ruptura teria sido causada por uma tromba d'água que atingiu a estrutura. Não há registro de vítimas. Pelo menos 50 famílias estão isoladas, devido ao rompimento da única via de acesso à região.

Segundo o Ministério Público do Estado de Rondônia, uma avaliação preliminar da Sedam e da Polícia Militar Ambiental constatou que os rejeitos atingiram pontes e bueiros. Além disso, espécimes da flora e da fauna local teriam sido "alteradas pelos rejeitos da barragem de mineração."

Em nota, o Ministério Público informou ter instaurado um inquérito para apurar as "respectivas responsabilidades" e os danos ambientais causados pelo rompimento da barragem. Além disso, a instituição diz ter solicitado "medidas urgentes" à Sedam, ao Ibama e à Polícia Militar Ambiental, "os quais, compareceram ao local para uma análise acerca dos danos causados pelo rompimento da barragem", afirma a nota.

Equipes da Sedam e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram ao local para avaliar os impactos ambientais e materiais do rompimento. "O local atingido pela tromba d’água apresenta no seu entorno atividades de piscicultura e mineração de cassiterita, sendo necessária a presença da equipe técnica para identificar qual o tipo de barramento sofreu a ruptura", informou a secretaria.

Ainda de acordo com a Sedam, não há risco de contaminação. "O material nela contido é constituído basicamente de areia e argilas, sem a presença de metais pesados na sua constituição."

O Ministério Público também divulgou que a "Secretaria Municipal de Meio Ambiente e à Polícia Militar Ambiental foram orientadas a realizar levantamento/cadastramento de todas as famílias e áreas prejudicadas em razão do rompimento da barragem". "Salienta-se que, no ano de 2018, o Ministério Público realizou diligências junto à mineradora MetalMig, constatando que as licenças ambientais e de operação encontravam-se em vigência."

Simulados em Minas Gerais

Por causa da ameaça de ser atingido por rejeitos de minério de ferro da barragem da Vale da mina de Gongo Soco, o município de Santa Bárbara, na Grande Belo Horizonte, realizou na sexta-feira, 29, um simulado de rompimento da estrutura. Na semana passada, o nível de emergência foi elevado a 3, status máximo, que indica ruptura a qualquer momento.

Com cerca de 30 mil habitantes, Santa Bárbara é a segunda cidade de Minas a passar por teste em menos de uma semana. A primeira foi Barão de Cocais, município vizinho, onde fica a barragem, na última segunda-feira, 25.

No dia 25 de janeiro deste ano, uma barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, localizada em Brumadinho, se rompeu, atingindo a área administrativa da empresa e a comunidade da Vila Ferteco. O desastre causou a morte de 217 pessoas e há 88 desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

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