Base aliada dá ultimato a Marta

Os vereadores da base aliada colocaram o governo contra a parede nesta quinta-feira e disseram que só votam o Plano Diretor após uma conversa direta com a prefeita Marta Suplicy (PT). Eles reivindicam participação no governo com cargos e a indicação de um novo secretário municipal dos Transportes no lugar do atual, Carlos Zarattini."A base aliada tem pessoas qualificadas que podem ser colocadas para a apreciação do Executivo e comandar a pasta do Transporte", disse o vereador Toninho Paiva (PL). "A participação no governo tem que ser discutida de forma transparente, isso é normal em qualquer parlamento. A base aliada se sente desprezada e está sendo usada."Alguns vereadores são ligados a perueiros e a empresários de ônibus. Para os parlamentares que formam a base do governo, a pasta do Transporte está sendo mal gerenciada e tem muitas falhas. A base é formada hoje por 21 vereadores.Nesta quarta-feira, após o PT derrubar a sessão ordinária, 20 deles - das legendas PTB, PL, PMDB, PDT, PSB, PSD - estiveram reunidos por quatro horas com o líder do governo, José Mentor (PT). Após a reunião, ficou decidido que a Câmara Municipal só iria votar sete projetos simples e o projeto das Subprefeituras até a próxima terça-feira.Depois disso, se não houver negociação, os vereadores vão aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o Orçamento de 2003 e, como prevê Lei Orgânica do Município (LOM), eles entrariam em recesso automático. Com isso, o Plano Diretor só voltaria a ser apreciado pela Casa em agosto.Nesta quinta, o líder do PT, Arselino Tatto, chegou a pedir a suspensão da sessão, com medo de que a base votasse a LDO. "O PT não entendeu que não tem maioria na Casa e que eles precisam de uma base de sustentação", ameaçou Toninho Paiva, que falava pelo grupo. Os vereadores disseram que se cansaram de conversar com o líder do governo, que não os atendia ou ouvia. "Queremos agora conversar com a prefeita diretamente, o líder do governo coloca muitas barreiras", disse Paiva.Para o PT e o governo não existe rebeldia, mas apenas divergências entre os vereadores. "É preciso de um tempo para dialogar com a base. Não vi nenhum rebelde, mas pontos de vista divergentes´, disse Arselino Tatto (PT). O líder do Governo, vereador José Mentor, negou nesta sexta a negociação de cargos e disse que o recesso parlamentar não é "considerado" pelo governo, que acredita na votação, ainda este mês, do Plano Diretor, que será apresentado nesta sexta. "Não existem acordos, o PSDB é que está obstruindo a pauta", disse.O vereador Carlos Giannazi (PT) apresentou um comunicado na noite desta quinta dizendo que iria ingressar com uma denúncia de prevaricação contra a Câmara Municipal no Ministério Público Estadual (MPE) e na Organização Mundial da Saúde (OMS) caso os vereadores não aprovassem o projeto de lei do Executivo que permite a contratação de mil médicos para o Município.A medida do vereador gerou revolta entre os parlamentares presentes no plenário da Casa. Ele chegou a ser cercado duas vezes pelos vereadores que estavam presentes e foi duramente repreendido pelo vereador tucano Roberto Tripoli (PSDB), que o chamou de demagogo. "Você é um demagogo e nunca vem trabalhar", gritou Tripoli.Os dois, que estavam quase chegando às vias de fato, foram separados pelo presidente da Casa, vereador José Eduardo Martins Cardoso (PT). De acordo com o líder do PMDB, Milton Leite, o projeto chegou na quarta-feira à Câmara. "Ele inventou esse documento", disse Leite. Pressionado, Giannazi foi obrigado por todos os vereadores a retirar o seu comunicado publicamente.O projeto voltou a ser discutido, mas até a noite desta quinta-feira não tinha sido aprovado, em primeira votação, pela Câmara.Os vereadores da base aliada rebelada são: Antonio Carlos Rodrigues (PL), Antonio Paes Baratão (PDT), Atilio Francisco (PTB), Carlos Apolinário (PGT), Celso Cardoso (PFL), Celso Jatene (PTB), Edivaldo Estima (sem partido), Eliseu Gabriel (PDT), José Rogério Farhat (PSD), Antonio Goulart (PMDB), Humberto Martins (PDT), José Olimpio (PMDB), José Viviani Ferraz (PL), Myryam Athiê (PMDB), Paulo Frange (PTB), Raul Cortez (PPS), Roger Lin (PPS), Rubens Calvo (PSB), Toninho Paiva (PL), Toninho Campanha (PSB) e Vanderlei de Jesus (PL).

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