Base apoia nome do PSB para suceder a Hartung

Com Ciro fora da corrida presidencial, Lula começa a pagar a fatura do partido

João Domingos e Rodrigo Rangel, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agiu rápido no pagamento ao PSB pela decisão de tirar o deputado Ciro Gomes da disputa à sucessão presidencial. Quatro horas após ser informado de que a direção socialista rejeitara por 21 a 2 a candidatura de Ciro, Lula comandou a virada que fez do senador Renato Casagrande (PSB) o candidato governista no Espírito Santo.

Por volta das 21 horas de terça-feira o presidente Lula recebeu para um jantar, no Palácio da Alvorada, o governador capixaba, Paulo Hartung, e o vice Ricardo Ferraço, ambos do PMDB. Até então, o candidato ao governo era Ferraço, tendo um petista como companheiro de chapa. Depois da conversa, o candidato passou a ser Casagrande, que terá um petista na chapa, no mesmo modelo anterior. Ferraço será candidato ao Senado.

O anúncio surpreendeu. Graças ao apoio de Hartung, um dos governadores mais bem avaliados do País, Ricardo Ferraço era o favorito na sucessão capixaba. Em pesquisas recentes, aparecia com mais de 30% das intenções de voto.

Casagrande corria por fora e vinha ganhando competitividade. A ponto de Hartung o convidar a indicar um integrante do PSB para disputar o Senado na chapa de Ferraço.

Palanque. O candidato do PSB, que dará palanque à petista a Dilma Rousseff no Espírito Santo, vai enfrentar o deputado tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas. Casagrande agradeceu ontem o "desprendimento" de Ferraço e o apoio de Hartung. "Espero que possamos fechar uma ampla participação", declarou.

Vellozo Lucas criticou o acordo: "O projeto de Hartung de fazer um condomínio de poder no Espírito Santo não deu certo e ele teve de recompor o projeto do lulo-petismo aderindo à pré-candidatura do Casagrande."

A negociação para o apoio a Casagrande se deu na véspera, em Brasília.

Na tarde de terça-feira, pouco antes da reunião do PSB que sepultou formalmente as intenções de Ciro Gomes de concorrer ao Planalto, Casagrande se reuniu num hotel de Brasília com o presidente do PSB, Eduardo Campos, que também é governador de Pernambuco. Era o começo. O encontro seguinte foi com o presidente Lula, na presença de Hartung e do próprio Ricardo Ferraço.

Feito o acordo na terça em Brasília, ontem, já em Vitória, Hartung convocou uma entrevista coletiva. Tinha Ferraço e Casagrande ao lado. O peemedebista Ferraço demonstrava constrangimento, enquanto o senador do PSB estava radiante.

Grandeza e decepção. Hartung comentou assim o acordo: "É um gesto de grandeza, um gesto histórico na política do Estado, até pelos números que ele veio adquirindo nas pesquisas, mas permite que uma terceira perna possa sustentar a continuidade do avanço no futuro."

Mesmo contrariado, Ferraço evitou mostrar decepção. "Chegou um momento onde nós precisávamos dialogar a respeito do futuro do Espírito Santo", disse.

Com fama de errático e passagens por vários partidos, do PSDB ao PMDB, Hartung já tinha surpreendido quando, no prazo fatal para desincompatibilização, anunciou que ficaria no cargo. Abriu, assim, mão de uma eleição garantida para o Senado.

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