Base da Guarda Municipal é atacada na noite de sábado em SP

Após ter o transporte público como principal alvo de ataques criminosos nos últimos dias, a cidade de São Paulo voltou a registrar na noite de sábado ataques contra forças de segurança. O alvo desta vez foi a Base da Inspetoria Regional de Itaquera da Guarda Civil Metropolitana (GCM), seis pessoas em três motos passaram e atiraram contra os guardas que se encontravam próximos ao muro da base. Nenhum tiro acertou o alvo, mas era possível ver as marcas de bala na parede e no muro. "A nossa reação imediata foi o revide, atiramos também. Só depois que você vai pensar em alguma coisa", disse um dos guardas que participou do tiroteio - ele não quis dizer o nome. O ataque aconteceu na noite de sábado, às 22h50, e nenhum suspeito foi detido. "Foi tudo muito rápido, não deu pra ver quase nada", disse o Inspetor Marcelino.Em Ferraz de Vasconcellos, na Grande São Paulo, uma viatura da Guarda Civil Municipal foi atacada. O veículo foi o alvo de disparos na Avenida Getúlio Vargas, mas nenhum dos tiros acertou a viatura. Os atiradores conseguiram fugir por um terreno baldio.Panfletagem Não muito longe dali, em Ferraz de Vasconcelos, quatro rapazes, sendo dois menores de idade, foram detidos pela polícia quando entregavam, nas ruas do centro da cidade, panfletos pedindo pelos direitos dos presos, denunciando maus tratos e abusos nas cadeias, criticando o governo e conclamando os olhos da imprensa para "a verdade" dos presídios. Junto com os quatro detidos foram apreendidos 494 panfletos que ainda não haviam sido entregues.O flagrante aconteceu às 21h30 do sábado, por volta das 2h40 do domingo os rapazes foram liberados. "Eles estavam numa festa, ofereceram R$ 10 para que eles entregassem os papéis e os bobos aceitaram", explicou Delvite Rosa dos Santos Silva, mãe dos dois menores R.S.S., de 15 anos e L.S.S., de 16, enquanto aguardava a liberação dos filhos na delegacia de Ferraz de Vasconcelos. "Eles têm de tudo em casa, não passam fome, tô muito decepcionada com isso. Tô tremendo até agora, nem consegui assinar os papéis", disse ela.Para o pedreiro Emiraldo de Jesus, de 42 anos, pai de um dos garotos, eles não são marginais e agora vão pagar pelo que nunca fizeram. "Agora isso vai sair no jornal e na TV. Quem vai dar emprego pra esses meninos?", disse, preocupado. A panfletagem foi interrompida antes que os quatro recebessem o pagamento dos R$ 10, que aconteceria somente quando todos os papéis fossem entregues. O autor da proposta permanece no anonimato, nenhum dos quatro rapazes detidos conseguiu dar alguma pista. Depois de lavrado um Termo Circunstanciado de apologia ao crime, os rapazes foram liberados. No entendimento do próprio delegado de Ferraz de Vasconcelos os quatro entraram de gaiato na história.Curioso, o mesmo texto dos panfletos estava em uma faixa que seria fixada em na parede da estação de trem Gianetti, às 23h30 do sábado, também em Ferraz de Vasconcelos. Surpreendidos pela polícia, os homens pularam a linha do trem e conseguiram fugir. A faixa media aproximadamente cinco metros e foi levada para a delegacia.Agência bancáriaNo Brás, na Capital, uma agência do Unibanco da rua do Hipódromo foi alvo de vandalismo por volta das 22h30. Quatro terminais foram atingidos pelos criminosos - sendo que dois ficaram completamente destruídos - depois que eles quebraram os vidros do caixa 24 horas, entraram no banco, jogaram gasolina e atearam fogo. "Não dá pra dizer que foi PCC, mas que foi vandalismo, isso é certo. Não tentaram levar dinheiro, não", disse o soldado PM Paulo Rodrigues, que fazia a vigília do local enquanto aguardava a perícia técnica para uma melhor avaliação.EscoltaDois carros da Guarda Civil Metropolitana (GCM) escoltaram um caminhão de coleta de lixo da empresa Eco Urbis durante todo o seu trajeto, em Itaquera, zona leste da cidade, por volta da 1h deste sábado. As escoltas estão acontecendo na região para evitar a reincidência dos ataques a caminhões de lixo que foram totalmente incendiados por bandidos desde a noite de quinta-feira. "Estaremos com eles do início ao fim", disse o GCM Floriano. Para o lixeiro José Alves, "tá melhor assim". Mas ele ponderou: "Só que a polícia é só hoje, né? Ou vai ter pelo resto da vida?".ÔnibusPor volta das 20 horas, um ônibus foi atacado na rua Monte Alegre de Minas, na altura do número 111, na Vila Cosmopolita. Outro ataque aconteceu na rua Prudêncio do Amaral, no Pirajuçara, zona sul de São Paulo. Também não houve feridos. No Jardim Laura, em São Bernardo do Campo, o motorista e o cobrador foram abordados por dois homens, por volta das 22 horas, quando aguardavam no ponto final da linha, na rua João de Barros. A dupla ateou fogo ao veículo em seguida e fugiu. Ninguém ficou ferido.

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