Base multinacional pode ser instalada neste ano

Base multinacional pode ser instalada neste ano

Unidade, que deve funcionar no Rio, faz parte de projeto maior que prevê a criação de Centro Integrado de Combate ao Narcotráfico em Brasília

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2010 | 00h00

/ BRASÍLIA

A base multinacional civil de controle e combate ao narcotráfico e contrabando, no Rio de Janeiro, deve começar a funcionar ainda neste ano. Junto com outras duas bases existentes, em Key West (Flórida, Estados Unidos) e Lisboa (Portugal), a do Rio formaria um tripé de monitoramento.

A iniciativa faz parte de um projeto maior, que prevê a criação de um Centro Integrado de Combate ao Narcotráfico (Cicon) em Brasília, já neste primeiro semestre.

Ontem, o Estado revelou que, por sugestão da Polícia Federal, o governo brasileiro discutiu com o comandante do Comando Sul dos EUA, tenente-brigadeiro Douglas Fraser, a criação da base civil no Rio, que deve funcionar dentro das instalações da Marinha.

Fraser passou a terça-feira passada em Brasília, onde teve encontros com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.

A base do Rio trabalharia em parceria com o centro de combate ao narcotráfico de Brasília. A ideia é reunir em um mesmo espaço os representantes da Polícia Federal, da Marinha, da Aeronáutica, do Exército e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O Estado apurou que também está nos planos a criação de uma base em Manaus no mesmo molde.

Como a base de Key West combate o tráfico na região do Caribe e a de Lisboa exerce controle sobre o Atlântico Norte, a base do Rio serviria como um posto avançado de monitoramento no Atlântico Sul.

Comando. Agências internacionais de combate ao narcotráfico e representantes de outros países podem ser chamados para participar do monitoramento, mas o comando continuaria sendo brasileiro.

As experiências estrangeiras são as referências do trabalho a ser aperfeiçoado no Brasil.

Em Key West, a força-tarefa montada aproximou os departamentos de Defesa e de Segurança Nacional, agências federais e forças aliadas. O grupo de cooperação conta ainda com um adido brasileiro e representantes de Argentina, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

O Planalto está para definir o adido que vai trabalhar na base de Lisboa.

Parceria. No Brasil, a Polícia Federal faz parcerias com a Aeronáutica no combate ao tráfico de drogas. No ano passado, a cooperação acabou resultando na apreensão de 2 toneladas de cocaína, do total de 19 toneladas recolhidas pelo órgão.

A cocaína é a principal droga "escoada" pelo território nacional ? proveniente da Colômbia, Peru e Bolívia. Depois de chegar ao País, parte é consumida aqui e o restante é enviado para Europa ou países da costa oeste africana.

Os trabalhos conjuntos, no entanto, são eventuais. Com o centro em Brasília e as futuras bases no Rio e em Manaus, o objetivo das autoridades é racionalizar recursos, somar forças e estabelecer uma comunicação integrada entre as diferentes entidades.

"A Força Aérea Brasileira tem os seus aviões, a Marinha possui os seus navios, a Polícia Federal conta com os seus agentes. Agora, só precisamos conjugar esforços e trabalhar em conjunto", argumenta um diretor que acompanha as discussões.

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