Base no Senado só vence por gigantismo

Dilma acumula vitórias na Casa, apesar de desarticulação de partidos aliados, que nunca fizeram reunião conjunta para planejar atuação

João Domingos, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff jamais perdeu uma votação no Senado nos quase oito meses de mandato. As vitórias ocorreram muito mais pelo gigantismo da base aliada do que por organização e coordenação política. Desde que o Senado tomou posse, em fevereiro, os partidos aliados ao governo nunca fizeram uma reunião conjunta para planejar a atuação.

"Eu não sei como é que as coisas têm dado certo, porque ninguém combina nada, ninguém troca uma ideia", queixa-se o senador Walter Pinheiro (PT-BA). Relator de projetos importantes, como a Lei de Acesso à Informação, Pinheiro reclama até do governo, que não deixa clara qual é sua posição a respeito das propostas que serão votadas.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a quem em tese caberia a tarefa de reunir os liderados, afirma que prefere conversar com os diversos colegas que exercem papel de liderança, um a um, do que com todo mundo. "Somos mais de 60. Isso não seria uma reunião, mas um comício", diz.

Uma das dificuldades que os senadores têm de se reunir é atribuída ao fato de cada um deles ser uma espécie de instituição. Um encontro com a participação de todos tornaria inviáveis os trabalhos e estenderia a reunião para um tempo sem fim - ninguém gostaria de deixar de dar sua opinião.

Entre os senadores, boa parte já foi governador, ministro, secretário de Estado e até presidente da República - casos de José Sarney (PMDB-AP) e de Fernando Collor (PTB-AL). Cada um se julga com mais experiência do que o outro. Eles preferem tratar de suas ideias no plenário do Senado, onde a TV transmite as sessões ininterruptamente, e não em reuniões fechadas e longas.

O máximo que a base aliada planeja é discutido em reuniões de blocos. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), assegura que faz reunião com os integrantes do bloco ao qual seu partido pertence. Esse grupo é constituído por PT, PDT, PSB, PC do B e PRB e conta com 23 senadores.

"Constantemente nós nos reunimos e trocamos ideias sobre formas de procedimento, atuação nas comissões e no plenário. Mas a base inteira realmente não faz encontros", diz Costa.

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