Bastam 'ajustes finos' na política fiscal e de juros, defende petista

Mas gasto público bate recorde e mercado desconfia da capacidade do governo de cumprir metas de superávit

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2010 | 00h00

Enquanto o tucano José Serra prega mudanças na política econômica atual, a campanha de Dilma Rousseff fala em "dobrar a aposta e aprofundar o modelo, fazendo apenas ajustes finos na política fiscal e de juros". Mas isso não significa que a campanha petista não esteja preocupada com a valorização acelerada do real e a alta dos gastos públicos. Dilma tem dito que a valorização não é preocupante. Nesta semana, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também minimizou a gravidade da situação. "Nós temos uma política de câmbio flutuante com algumas intervenções do governo. Temos de atacar outras questões e fazer uma reforma tributária para desonerar exportações. Precisamos persistir na política de baixar o juro."

No entanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, alinhado com o pensamento econômico de Dilma, vem adotando medidas mais agressivas, como a alíquota de 6% de IOF sobre os fluxos de investidor estrangeiro para renda fixa (anteriormente em 4%) e depósitos de margem para negociações no mercado futuro. Integrantes do governo não descartam uma ampliação dessas medidas.

Em relação à política fiscal, já há desconfiança generalizada do mercado da capacidade do governo de cumprir as metas de superávit primário. E os gastos do governo bateram recorde de crescimento este ano.

Desde o ano passado, o governo não consegue cumprir as metas de superávit primário. Este ano, só conseguirá economizar os 3,3% do PIB (sem incluir juros da dívida) por causa de manobras fiscais envolvendo estatais e o BNDES.

Em maio, em evento da BM&F-Bovespa em Nova York, Dilma disse que iria adotar uma meta de redução do endividamento, dos atuais 42% do PIB para 30% do PIB até 2014. Para isso, teria de aumentar o superávit primário, atualmente em 3,3% do PIB. Em entrevista ao Estado, Antonio Palocci, principal assessor de Dilma na área econômica, ressaltou que esse "é um compromisso fiscal muito forte, porque Dilma vai se comprometer com um nível de endividamento, além de meta de superávit" . Paulo Bernardo admitiu a necessidade de um aperto fiscal, mas disse que será bem mais suave do que quando Lula chegou ao Planalto, em 2003, porque não há ameaça inflacionária.

De qualquer maneira, para reduzir os gastos do governo e cumprir metas de redução de endividamento, Dilma terá de rever a política de reajustes reais do salário mínimo, porque há pouco espaço para cortar gastos de custeio, diz Mansueto Almeida, economista do Ipea. No entanto, a campanha petista continua prometendo

EU PROMETO

Promessa de Dilma Rousseff (PT):

Vetar iniciativas que impliquem em anistia aos desmatadores e em redução de reserva legalque o salário "vai continuar tendo ganhos reais nos anos seguintes".

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