REUTERS/Adriano Machado
REUTERS/Adriano Machado

Bastidores: Ação de impacto em presídios foi definida em reunião sigilosa no Alvorada

Governo avaliou que a crise penitenciária estava fugindo completamente do controle, podendo se alastrar para o Sul e o Sudeste

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2017 | 19h14

BRASÍLIA - O governo decidiu anunciar o apoio das Forças Armadas para fazer vistorias dentro dos presídios estaduais após uma avaliação reservada de que a crise penitenciária estava fugindo totalmente do controle, podendo se alastrar para o Sul e o Sudeste. O diagnóstico foi feito em reunião, no Palácio da Alvorada, na noite desta segunda-feira, 16.

Mantido sob sigilo, o encontro convocado pelo presidente Michel Temer, no Alvorada, começou perto das 21 horas. Estavam presentes os ministros Alexandre de Moraes (Justiça), Raul Jungmann (Defesa), Eliseu Padilha (Casa Civil), Sérgio Etchegoyen (Gabinete se Segurança Institucional) e o secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco.

"O presidente Temer, vendo que os governos estaduais necessitavam de apoio no cumprimento de suas atribuições, não titubeou e colocou à disposição de todos as Forças Armadas para debelar a crise nas penitenciárias", afirmou Padilha ao Estado.

A avaliação no Palácio do Planalto é a de que o governo Temer precisa de uma ação de impacto para transmitir a imagem de segurança à sociedade. Nas palavras de um auxiliar de Temer, a medida mais importante, hoje, é "menos de construção de presídios e mais de inteligência" porque as pessoas esperam respostas rápidas para que o caos nas penitenciárias seja contido o quanto antes.

A ideia de pedir o apoio das Forças Armadas foi do próprio Temer, que a transmitiu a Moraes em reunião no Planalto, ainda na segunda-feira. À noite, o plano foi detalhado no encontro do Alvorada.

A conclusão ali foi a de que há um processo em curso de "crescente desintegração" do comando policial nos presídios e, diante desse quadro, o governo federal só conseguirá ajudar os Estados a inibir as facções criminosas se houver a imediata retirada de armas, drogas e telefones celulares das cadeias. A força-tarefa anunciada nesta terça-feira também inclui os órgãos de inteligência estaduais.

No Planalto, o comentário é que a atuação conjunta deve seguir o padrão daquela realizada antes e durante a Olimpíada, no Rio, no ano passado. Desde a virada no ano, massacres em presídios do Amazonas, Boa Vista e Rio Grande do Norte deixaram 119 vítimas. 

 

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