Bastidores: Pressionado, presidente já avalia isolamento do País

Planalto está preocupado, por exemplo, com a possibilidade de, em alguns casos, haver interrupção da linha de suprimento nacional, o que poderia prejudicar o abastecimento de mercados

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2020 | 08h00

Ao anunciar o fechamento das fronteiras brasileiras com oito países, o presidente Jair Bolsonaro age, mais uma vez, em resposta às pressões políticas, incluindo de governadores, contra a possibilidade de “importação” de casos da covid-19 dos países vizinhos. Essa medida é considerada apenas o primeiro passo de uma realidade que se imporá daqui a pouco, de isolamento obrigatório dos países.

O Planalto está preocupado, por exemplo, com a possibilidade de, em alguns casos, haver interrupção da linha de suprimento nacional, o que poderia prejudicar o abastecimento de mercados. O governo federal não descarta adotar medidas ainda mais rigorosas para combater o avanço da doença. Com a rápida evolução dos casos de pacientes infectados, a avaliação de alguns segmentos do Executivo é que, em dois ou três dias, o fechamento total acabará sendo anunciado, embora se saiba que, na prática, em muitas cidades fronteiriças, seja quase impossível executar tal medida.

Internamente, segmentos do governo comemoram o fato de a Casa Civil estar sob nova direção, agora, tendo à frente, um general, Walter Braga Netto. Conta aí o fato de militares terem mais expertise para enfrentar guerras. Além disso, por integrarem o mesmo segmento, os ministros se comunicam mais facilmente, sem melindres e burocracias. Longe de qualquer preocupação político-eleitoral, a equipe palaciana diz trabalhar apenas para encontrar soluções eficientes para resolver o problema. Para isso, pouco importa o fato de o presidente Jair Bolsonaro e seus admiradores continuem em meio a uma guerrilha digital.

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