Bastos diz que não continua na Justiça e fala de pacto PT/PSDB

O ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, disse na manhã desta terça-feira, 29, que não deve seguir na Pasta. Durante abertura do 12.º Seminário Internacional de Defesa no Inquérito Policial, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), na capital paulista, ele destacou que este será o último ano em que participará do evento com o cargo atual. "Esse é o último ano que eu venho como ministro da Justiça abrir esse seminário. Espero que, no próximo, eu possa voltar a ser aquilo que eu era: um participante, um debatedor, um palestrante", afirmou. O ministro aproveitou também para comentar um possível pacto entre os partidos rivais PT e PSDB.Indagado, após o evento, se realmente não ficaria no cargo mesmo no caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele voltou a sinalizar sua saída do ministério. "Eu estou programado para ficar quatro anos, morando e trabalhando em Brasília. Gosto muito do Ministério da Justiça, acho que o trabalho que tem lá foi muito gratificante e muito proveitoso", destacou. "Mas, quatro anos é bastante. O Brasil tem uma safra de advogados e juristas muito brilhantes", acrescentou.Na avaliação de Bastos, a performance do Ministério durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser considerada, modestamente, uma história de êxito. "A primeira vez que eu vim aqui em 2003 nessa condição pra abrir esse seminário eu falava sobre as propostas do governo Lula para o Ministério da Justiça. Hoje eu venho quase que numa prestação de contas, depois de quatro anos, dizer que a história da performance do Ministério da Justiça nesses quatro anos pode ser considerada modestamente uma história de êxito", observou, salientando, principalmente, o trabalho de inteligência da Polícia Federal e a independência do Ministério Público Federal (MPF). "O fato é que o trabalho da Polícia Federal nesses anos é como se tivesse posto um farol alto na criminalidade", complementou.Pacto entre PT e PSDBThomaz Bastos negou que exista um pacto entre o PT e o PSDB para futuras eleições. Ele, contudo, afirmou que há pensamentos convergentes entre as duas legendas. "Eu não acredito que exista um pacto. O que pode existir são pensamentos convergentes, são conversas eventuais, mas nada assim (como um acordo)", afirmou Bastos."Nós estamos em pleno fragor de uma campanha eleitoral, em que os dois partidos disputam a Presidência da República e governos de Estado em muitos lugares, inclusive aqui (São Paulo), de modo que é preciso passar isso (esse clima de eleição) - essa época é muito difícil de se tornar um terreno propício para conversas. Mas existe gente conversando e eu acredito que isso seja uma coisa para ser pensada a partir do futuro", acrescentou.Bastos confirmou que teve conversas, no domingo passado, com o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, mas ressaltou que os dois são amigos há muito tempo e que o conteúdo da conversa não foi nada "significativo e profundo". "O importante é deixar canais abertos, porque os homens públicos têm a obrigação de ter esses canais abertos para pensar impessoalmente no que é bom ou mau para o Brasil", salientou.

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