Bastos diz que rastreamento de ligação não inclui Lula

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, esclareceu nesta quarta-feira que no rastreamento das ligações dos envolvidos no esquema do dossiê Vedoin não foram incluídas as linhas telefônicas utilizadas pelo presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o ministro, só o Supremo Tribunal Federal tem atribuição legal para autorizar a investigação sobre o presidente. Mas algumas das linhas alcançadas pela investigação são utilizadas por assessores diretos de Lula, entre eles o chefe do gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho. Entre as ligações rastreadas há telefonemas para petistas envolvidos no escândalo da compra do dossiê, entre os quais o ex-chefe do serviço de inteligência da campanha de Lula, a chamada Abin do PT, Jorge Lorenzetti. "As pessoas envolvidas no dossiê são petistas - a PF já desvendou isso - e é natural que ligassem para outros petistas no governo", explicou o ministro.Na busca de levantar toda a rede de envolvimentos no dossiê Vedoin, a Polícia Federal rastreou 380 mil ligações que partiram de 100 telefones do Palácio do Planalto. Os extratos telefônicos ainda estão sendo analisados por técnicos da PF e não há previsão de que o resultado seja divulgado antes da eleição de domingo.Rastreamento telefônicoA Polícia Federal confirmou na última terça que a quebra do sigilo de cerca de 800 linhas telefônicas inclui chamadas para o Palácio do Planalto.Um balanço parcial dos rastreamentos mostra que, das 2,8 milhões de chamadas de 56 mil aparelhos, 380 mil partiram ou se destinaram à Presidência da República. O principal objetivo do inquérito, nesta nova etapa, é desvendar a origem de todo o dinheiro - R$ 1,75 milhão - destinado à compra do dossiê, apreendido em poder dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha num hotel de São Paulo, em 15 de setembro passado. A origem dos dólares está praticamente desvendada.

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