Bastos se reúne com Lembo para discutir segurança pública

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, se encontrou na manhã desta sexta-feira, 7, em São Paulo, com o governador Cláudio Lembo, para discutir mecanismos para pôr fim à grave crise da segurança pública no Estado. Após o encontro, nenhum deles falou com a imprensa.De acordo com informações da assessoria do ministro, no encontro de uma hora, Bastos demonstrou seu apoio ao governador paulista, quanto ao problema de segurança pública envolvendo o sistema prisional do Estado. Bastos teria dado detalhes a Lembo de como o governo federal poderá aumentar a cooperação com São Paulo, porém esses dados não devem ser revelados, para não atrapalhar a operação.O ministro da Justiça também deixou uma cópia da portaria 315/2006 da Polícia Federal em que é concedido o porte de armas aos agentes penitenciários. A portaria deve entrar em vigor na próxima semana, obedecendo ao Estatuto do Desarmamento. Por meio da assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeiras, sede do governo paulista, Lembo disse que pretende enviar na próxima semana à Assembléia Legislativa o projeto que prevê o porte de arma aos agentes fora das penitenciárias.CriseA crise na segurança de São Paulo vem se agravando desde maio, quando a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) promoveu uma série de ataques a policiais, agentes penitenciários, agências bancárias, ônibus e até estação do metrô, em todo o Estado de São Paulo entre os dias 12 e 20 de maio. Durante os ataques, o governo federal ofereceu a ajuda da Força Nacional de Segurança e do Exército, mas o governador rejeitou a oferta.Além dos ataques, diversas rebeliões aconteceram simultaneamente na capital paulista e no interior do Estado. Há penitenciárias, como a de Araraquara, que destruídas, mantém 1.443 presos confinados no pátio após duas rebeliões sucessivas.Em depoimento à CPI do Tráfico de Armas esta semana, o ex-secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, que ocupava o cargo na época dos ataques, disse que os detentos organizaram os ataques por estarem profundamente insatisfeitos com medidas adotadas pelo governo estadual, como o regime disciplinar diferenciado, que visava eliminar o crime organizado nos presídios.Furukawa atribuiu o caos nos presídios paulistas ao aumento vertiginoso da população carcerária. Ele disse que, quando assumiu a Secretaria, em 1999, havia 53 mil presos no Estado de São Paulo e, quando deixou o cargo, há dois meses, esse número havia mais do que dobrado e já estava em 105 mil. Ele defendeu a adoção de medidas urgentes para reverter este quadro.Atualizado às 13h15

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