''Bate e volta'' para o Guarujá de ônibus: R$ 800

Coletivos terão de ser cadastrados; medida divide opiniões no comércio

Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2009 | 00h00

Depois de Santos e São Vicente, foi a vez de o Guarujá dificultar o acesso dos turistas de um dia. A prefeita Maria Antonieta de Brito (PMDB) assinou um decreto disciplinando a entrada de ônibus, micro-ônibus e vans: agora, todos os veículos que transportam turistas terão de ser previamente cadastrados e aqueles cujos passageiros não tiverem reservas em hotéis ou pousadas serão obrigados a pagar taxas de até R$ 800 por dia. Pela nova legislação ficam isentos das taxas (mas não do credenciamento) todos os veículos que levarem excursionistas a eventos em equipamentos públicos ou para atividades esportivas, religiosas, educativas, sociais ou culturais. "Se forem para um restaurante, para o Aquário ou se forem os turistas dos cruzeiros que atracam em Santos, não se paga nada. É só comprovar o destino", afirmou o presidente do Guarujá Convention & Visitors Bureau, Ricardo Roman Júnior, que aprovou a medida.Já a presidente da Associação dos Quiosqueiros do Guarujá, Marta de Santana, discorda. Segundo ela, os visitantes de um dia são pelo menos 10% dos frequentadores nos fins de semana e feriados. "Hoje não dá mais para dizer que pobre é farofeiro. O pobre traz cerveja e o rico traz cerveja, mas eles compram porções.""Não queremos na cidade o turismo predatório, que não traz divisa nenhuma", rebateu o presidente do Bureau. Para evitar isso, a nova legislação proíbe o estacionamento desse tipo de veículo nas vias, punindo com multa e recolhimento ao pátio os que circularem sem aval da Secretaria do Turismo.OUTROS CASOSEm Santos, uma lei do início dos anos 90 instituiu uma taxa de cerca de R$ 3 mil para ônibus e micro-ônibus que fazem o tradicional "bate e volta". "Mas o objetivo da lei não é o recebimento da taxa, e sim limitar a quantidade de ônibus, para não causar sobrecarga na orla na praia. Essa taxa nunca foi recolhida", afirma o chefe do Departamento de Atividades Turísticas de Santos, Marcelo Fachada. Parecida com a de Santos, a regulamentação de São Vicente é de 2005. Lá a taxa é de R$ 2.300 e os ônibus vinculados a hotéis, agências de turismo e congressos também são isentos.Já em Ubatuba, no litoral norte, os ônibus que levam turistas com reservas em hotéis e pousadas são obrigados a pagar R$ 50, mesmo estacionando nas dependências do hotel. O Contur, que administra o estacionamento de ônibus, faz essa exigência há mais de dez anos. Os ônibus que chegam de manhã e vão embora à noite tem de pagar R$ 300 e só podem ficar estacionados no terminal turístico, na Praia do Perequê Açu. Também em Ilhabela começaram a funcionar neste feriado as novas taxas para "preservação ambiental" - que tiveram redução. Carros e motos continuam pagando R$ 2. As vans que pagavam R$ 100 agora pagarão R$ 20 e os ônibus terão de pagar R$40 por dia para circular pela cidade. Anteriormente, o valor era de R$ 300.

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