''Batiam como se a gente fosse bicho''

O auxiliar de serviços gerais Carlos dos Santos Fernandes, de 22 anos, mora na Baixada Fluminense e caminha diariamente 5 quilômetros até a estação de trem mais próxima, para economizar o dinheiro da passagem de ônibus. Ontem, por causa da greve dos ferroviários, saiu de casa ainda mais cedo, para não se atrasar no trabalho. Foi surpreendido na saída do vagão, às 6h40, por socos e agressões com uma espécie de chicote. Ele registrou o caso na 29.ª Delegacia de Polícia (Madureira) e pretende processar a concessionária.Como foi a agressão que você sofreu? Estava tentando sair do trem, na estação de Madureira, quando uns dez seguranças começaram a agredir os passageiros com socos, chicotadas. Levei um soco no pescoço e chicotadas nos braços. Vi uma câmera de TV e corri para trás do cinegrafista. Aí eles pararam de me bater e começaram a bater em outras pessoas.Você ficou muito ferido? Estou com um hematoma no pescoço e marcas das chicotadas nos braços.Foi a primeira vez que os agentes agiram dessa maneira? Não. Sempre vejo eles dando nos outros. Só que desta vez foi em mim. Os guardas queriam fechar as portas de qualquer maneira. Davam chicotadas como se a gente fosse bicho.Você vai processar a Supervia?Sem dúvida. Acordo às 5 horas da manhã para ir trabalhar e quando abre a porta do trem sou recebido a tapas. Isso é um absurdo. E isso acontece há muito tempo na plataforma. A Supervia sabe. Eles têm de respeitar as pessoas. Quem está no trem àquela hora é trabalhador.

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