Batoré volta para Febem de Franco da Rocha

Vinte e oito dias depois de serem transferidos para a Penitenciária de Taubaté, no interior do Estado, Fábio Paulino, de 19 anos, o Batoré, e Weberson de Paula Lima, de 18, irmão do seqüestrador Andinho, retornaram nesta terça-feira para a Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) de Franco da Rocha.Eles haviam sido levados para o sistema depois de uma rebelião na Unidade 30, acusados de corrupção de menores, destruição do patrimônio público, formação de quadrilha e incitação de rebelião.O promotor de Justiça Luiz Arthur Capuzzo, de Franco da Rocha, baseou-se na investigação de envolvimento de funcionários da Febem em rebeliões para pedir a liberdade provisória dos 19 internos indiciados como infratores adultos.Eles retornaram a Franco da Rocha na semana passada. "Os garotos foram presos acusados de serem responsáveis exclusivos das rebeliões, mas temos notícias e material apontando que, ainda que haja a responsabilidade deles, há a participação de funcionários", disse.Capuzzo salienta, entretanto, que solicitou o retorno dos jovens para qualquer outra Febem do Estado, com exceção de Franco da Rocha. "Se ficarem sob a guarda, a autoridade dos funcionários investigados, pode haver prejuízo nas apurações", disse.Mas, em ofício encaminhado à juíza Maria Cristina de Almeida Bacarim, a Febem alega que as "únicas unidades elegíveis e com condições de recebê-los" estão em Franco da Rocha. "Evidentemente, havendo vontade política, haveria condições de transferi-los", criticou o promotor.Até as 20 horas desta terça, continuavam foragidos 24 internos das Unidades 21 e 30, que fugiram nos dias 13 e 17, respectivamente, usando arma de fogo. Nos dois casos, uma pistola calibre 380 teria sido encontrada pelos adolescentes e usada na fuga.Os dois episódios acabam levantando questionamentos pela Promotoria da Infância e da Juventude. "Como entra uma arma num presídio onde parentes e funcionários são revistados? Voando?", questionou o promotor Wilson Tafner, para quem essas fugas podem ter ligação com as rebeliões."Rebeliões e fugas são formas de pressionar até a hora que volte o sistema antigo, até que o governador mande voltar a linha dura."Até esta terça, a pistola usada por um interno para render dez monitores e facilitar a fuga de 31 adolescentes da unidade 21 não havia sido encontrada. O agente Francisco Cledimar Soares de Oliveira foi preso, acusado de entregar a arma aos adolescentes. A outra pistola, de onde teriam sido disparados tiros que feriram três jovens na rebelião desta segunda-feira, foi apreendida pela polícia.Nesta quarta, às 13 horas, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deve visitar internos das Unidades 30 e 31.

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