Beto Barata/AE-9/6/2011
Beto Barata/AE-9/6/2011

Battisti ganha documento para iniciar ''vida normal''

Cédula provisória de estrangeiro emitida pelo Ministério da Justiça lhe dá garantia de que não será barrado nem preso como cidadão clandestino

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2011 | 00h00

Cesare Battisti, ex-ativista italiano, já pode andar sem receio pelas ruas do Brasil. Desde a semana passada ele está de posse da cédula provisória de estrangeiro, emitida pelo Ministério da Justiça, documento que lhe dá a garantia de que não será barrado, nem preso, como cidadão clandestino.

"Cesare Battisti pode agora levar uma vida absolutamente normal, sem nenhum risco", declarou o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, artífice do processo que culminou com a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em não permitir sua extradição para a Itália, onde a Justiça o condenou por quatro assassinatos nos anos 70, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo.

Na segunda-feira, 15 de agosto, Battisti foi à Polícia Federal, superintendência de São Paulo. Eram 17 horas. Pegou senha e fila. A delegada Bruna Menck, do setor de estrangeiros, o recebeu. Suas impressões digitais foram colhidas. Fotos do ex-ativista. Procedimento de rotina.

"Já posso abrir conta no banco e tirar o CPF", disse Battisti a seu advogado, quando deixaram a PF. O aval que leva consigo será substituído em alguns meses por outro, definitivo - o Registro Nacional de Estrangeiro.

No outro dia, terça, Battisti reuniu-se com o editor da Martins Fontes no escritório de Greenhalgh, no centro de São Paulo. Escrever é a meta do italiano, que já tem livros publicados na Itália e no Brasil. Seu projeto particular é viver da literatura. Ao Pé do Muro é seu mais recente trabalho - narra sua vida na prisão.

O ex-militante evita manifestações sobre o passado e não fala dos processos penais que lhe atribuem ações armadas e rajadas de tiros, como militante da esquerda nos anos 70.

Extradição. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição do ex-ativista. Mas, no último dia de seu governo, o então presidente Lula acolheu parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) e permitiu a Battisti ficar no Brasil - gesto que provocou forte reação política na Itália.

Há 73 dias ele foi solto por ordem do STF, que rechaçou uma reclamação do governo de seu país para que fosse extraditado - a Justiça italiana deseja que ele volte para cumprir suas penas.

Ele cruzou as muralhas da Papuda - presídio em Brasília onde estava recolhido havia quase quatro anos - na madrugada de 9 de junho. Desde então, em liberdade, tem evitado aparições em público. Mora de favor na casa de um amigo no litoral. Reportagem da revista Piauí mostra um Battisti encantado com os brasileiros. "São formidáveis, não conheço povo mais alegre, simpático e sociável", declarou à revista.

Poderá viver no Rio. "Nasci e cresci perto do mar", contou à Piauí. "Gostei de viver em Nápoles e Marselha, cidades que, de alguma forma, parecem o Rio. Eu adoro o burburinho de Copacabana, das ruas transversais à praia, cheias de vida, de moças bonitas e de gente simpática."

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