Battisti pode ficar no País, diz Marina

Candidata do PV afirma que o Brasil já abrigou até ditadores, por isso não há problemas em aceitar permanência do ex-ativista italiano

Daiene Cardoso AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do Partido Verde (PV) à sucessão presidencial, Marina Silva, declarou-se favorável à permanência do ex-ativista italiano de esquerda Cesare Battisti no Brasil. Na avaliação da presidenciável, é importante que o País mantenha a tradição de oferecer abrigo a refugiados políticos.

Battisti foi condenado a prisão perpétua na Itália em 1987 por quatro assassinatos promovidos pela organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Preso na Penitenciária da Papuda desde março de 2007, aguarda uma decisão do presidente sobre sua extradição.

"O Brasil tem tradição de dar abrigo, já deu até para ditadores", afirmou a candidata, durante entrevista ontem ao portal Terra. "Por que seria diferente em dar abrigo a ele (Battisti)?", questionou.

A presidenciável disse que sua posição não põe em dúvida as instituições italianas, que pedem a extradição do ex-ativista. Para a candidata, é importante que a política externa brasileira mantenha suas tradições e princípios. Assim, segundo ela, fica claro para os demais países a posição brasileira nesses tipos de situação.

Justiça. Em junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que aguardará parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) para tomar qualquer decisão sobre o caso Battisti. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu no fim do ano passado ser legal a extradição do ex-ativista, requerida pelo governo da Itália. Os ministros observaram, contudo, que o presidente é quem decidirá a questão, não sendo obrigado a entregar o italiano.

Terrorista. Marina criticou o rótulo de "terrorista" dado à ex-ministra Dilma Rousseff, que na juventude participou de grupo político que lutou contra o regime militar. "Ela lutou pela democracia, não acho correto ficar chamando ela de terrorista."

Marina disse ser contra o julgamento de militares que praticaram tortura durante o regime militar. "A anistia foi para todos", afirmou. A candidata defendeu, porém, a criação da Comissão da Verdade no Congresso Nacional para apurar os crimes políticos ocorridos na época da ditadura no Brasil."Sou favorável a se tirar esses cadáveres do armário", defendeu.

Segundo turno. Indagada por internautas sobre qual candidato apoiará no segundo turno, caso não continue no pleito, Marina disse que o assunto só será tratado no futuro. Ela afirmou que hoje não se sente mais próxima nem de Dilma nem de Serra porque seus adversários têm um perfil gerencial e desenvolvimentista.

"Os dois são muito parecidos, são muito eu, eu, eu, eu", ironizou. Na entrevista, Marina afirmou que pretende fazer uma campanha sem agressões pessoais aos adversários e baseada em críticas aos programas de governo. A candidata do PV disse que não é candidata de promessas, mas sim de compromissos com a sociedade. "Assumo o compromisso com a sociedade e com as instituições para continuar melhorando a vida das pessoas", afirmou.

A presidenciável disse que se recusa a fazer uma campanha com base no jogo de desqualificação dos adversários, em referência indireta à guerra de acusações entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

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