Bazares: para fazer o bem, gastando menos

Variedade de produtos e descontos nas etiquetas atraem visitantes em busca dos presentes de Natal

Deborah Bresser, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

A caridade pode ser uma excelente atenuante para aquela pontinha de culpa que bate quando o desejo de consumir aumenta à medida que o Natal se aproxima. Comprar e fazer o bem alivia a consciência e também o bolso. Na maioria dos bazares natalinos de São Paulo, além de parte da verba ter um destino nobre, os preços costumam ser bem mais baixos do que nas lojas convencionais. Na Feira de Natal da Colméia, uma das mais tradicionais da temporada, há 70 expositores, entre artesãos e empresas, todos vendendo produtos com descontos. "A finalidade é captar recursos para os cursos de capacitação profissional e para o grêmio esportivo mantido pela instituição", explica Heloísa Araujo Cintra Scarcelli, assessora administrativa da Colméia. A ONG existe há 65 anos e presta serviço social e assistencial a 500 jovens por dia. Realizada no Museu Brasileiro da Escultura (Mube), a feira está em sua 13ª edição. Além das compras, tem atrações como um show de tango, previsto para hoje à noite, e exposição de mesas natalinas.Escondidinha na encruzilhada da Avenida Rebouças com as Ruas Henrique Schaumann e dos Pinheiros, a Paróquia Senhor Bom Jesus dos Passos promove neste fim de semana seu quarto bazar beneficente. "Foi um grupo mais jovem de fiéis que começou esse trabalho com o bazar", conta o padre Vitor, pároco da igreja há 25 anos, que daqui a um mês completará 80 de vida.A paróquia tem tradição de ajudar a população carente da região de Pinheiros, e os produtos colocados à venda na feira natalina foram doados pela comunidade. A coordenação geral do bazar fica por conta de Maria Abadia Lemos. A montagem começou ontem, com triagem dos produtos, separação por gêneros e a colocação de valores. "Como a maior parte é de peças usadas, os preços ficam entre R$ 2 e R$ 10. Tem pouca coisa nova, mas é tudo em bom estado", garante o padre.Quem resolver ir até Alphaville para conferir as ofertas do Bazar de Natal da Fundação AlphaVille estará também contribuindo para a geração de renda de centenas de famílias carentes, inseridas no "Programa Comunidade Sustentável", coordenado pela instituição. A entidade organizou artesãos de várias localidades em grupos ou cooperativas e contratou artistas plásticos e estilistas. O resultado pode ser visto na feira natalina, onde estão produtos sustentáveis - a maioria confeccionada com materiais reciclados ou remanescentes da natureza - com preços que variam entre R$ 5 e R$ 45. É possível comprar porta-jóias, caixas de presentes e bandejas criados pela Cooperativa Unindo Forças, de Barueri (SP), com preços entre R$ 3 e R$ 8. Também há bijuterias produzidas pelas mulheres do "Grupo Mar & Arte", de Fortaleza, feitas com sementes, folhas e outros materiais naturais, que vão de R$ 15 a R$ 25. Além de cestas e peças decorativas feitas com papel reciclado pela Cooperativa Esperança de Santana do Parnaíba (SP). Preços? De R$ 5 a R$ 20.O Instituto Fazer Brasil, que promove artistas e designers brasileiros no exterior, coloca à venda esses produtos tipo exportação por precinhos camaradas em seu bazar de Natal. As peças variam de R$ 10 a R$ 150. Há garrafa de cerâmica de Edymundo Colaço por R$ 25, colares de Carmem Resende por R$ 20 e bonecas feitas por Nenê Cavalcanti por R$ 150. E a certeza de que essa grana vai continuar a divulgar o artesanato brasileiro mundo afora.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.