BC quer criar departamento voltado para a segurança

O assalto de R$ 164,7 milhões de agosto do ano passado levou o Banco Central (BC) a estudar a possibilidade de criar um departamento voltado exclusivamente para a questão da segurança. A idéia do banco é aproveitar o debate em torno do projeto de lei a ser enviado pelo governo ao Congresso Nacional que tratará do reajuste salarial dos seus servidores. "A alocação de pessoal para o departamento será embutida no projeto", disse uma fonte do BC. O objetivo da atual direção do BC é permitir que o departamento venha a ter 29 servidores comissionados e mais sete funcionários indicados livremente pela instituição. A proposta de contratar sete servidores de livre indicação, no entanto, vem encontrando resistência entre o corpo funcional do BC. "Nunca teve isso no BC. Sempre trabalhamos com o pessoal de carreira", disse um servidor de alto escalão do banco que pediu para se manter no anonimato. O temor maior dos servidores do BC é que a proposta venha criar um precedente perigoso. "Hoje é funcionário para a segurança. Amanhã pode ser para outras áreas", disse o mesmo servidor. O espaço para indicações políticas no BC, na visão deste funcionário, acabaria por aumentar. A idéia da indicação de profissionais de segurança fora do quadro funcional da instituição chegou a ser alvo de fortes críticas durante assembléia realizada na tarde desta terça, em que foi decidido realizar uma paralisação de 48 horas a partir desta quarta. Desde o assalto aos cofres do BC em Fortaleza, o banco já vem implementando medidas no sentido de aprimorar sua segurança interna com o intuito de evitar a repetição do roubo, tido como o terceiro maior da história. A principal delas foi transformar em gerência uma divisão do Departamento de Recursos Materiais e Patrimônio (Demap) do BC que era responsável pela questão da segurança. "Isto já deu um ganho de agilidade aos trabalhos do banco", disse uma fonte. Com o departamento, a expectativa é de que esta agilidade seja ampliada ainda mais.

Agencia Estado,

14 Fevereiro 2006 | 20h50

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