BC vira arma do duelo entre Serra e Dilma

Ele quer banco voltado para desenvolvimento; ela não vê necessidade de modificação alguma

Rubens Santos e Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2010 | 00h00

Após resistir em voltar a falar do Banco Central, o presidenciável José Serra (PSDB) defendeu ontem uma atuação integrada com a política econômica do governo. "O Banco Central tem de estar voltado para a estabilidade de preços e o desenvolvimento. Por isso, é preciso ter entrosamento."

Em sua primeira visita ao Estado na condição de pré-candidato, o tucano afirmou que o BC "tem de ter autonomia" para trabalhar. "Mas tem de estar integrado com a política econômica do governo e com o Presidente da República, que é quem indica seu presidente e diretores. Foi assim no governo de Fernando Henrique e no governo Lula."

Em Rio Grande, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu que o BC mantenha sua atual autonomia operacional sem a necessidade de formalização da independência do órgão. "Do jeito como está é muito bom", declarou. "Não é necessário a gente introduzir nenhuma modificação e não acho prudente mexer em time que está ganhando", reiterou, após ser questionada pelos repórteres, que queriam saber sua opinião sobre as declarações de Serra, que, na segunda-feira havia dito que "o Banco Central não é a Santa Sé" e que sua autonomia deve ficar dentro de "parâmetros".

Dilma citou ainda suas passagens pelas secretaria da Fazenda de Porto Alegre e de Minas e Energia do Estado, "por duas vezes", além dos ministérios do governo Lula (Minas e Energia e Casa Civil). "Acredito que tenho experiência de gestão razoável, aliás, do ponto de vista da União, acho que das maiores."

Sua passagem pelo Rio Grande do Sul incluiu uma visita à Rede Pampa de Comunicação, onde concedeu entrevista ao programa Pampa Boa Noite. Antes de sair, a petista posou para fotos ao lado das belas apresentadoras e assistentes de palco de outro programa, o Studio Pampa.

Tributária. Serra garantiu que a reforma tributária será uma das prioridades de seu governo, se eleito. "Vamos tocar a reforma para frente. O atual governo não conseguiu, mas eu me proponho a fazer. Até porque é uma área que conheço bastante", afirmou.

O tucano disse também que investimentos em infraestrutura, educação, saúde e segurança pública serão prioritários e garantiu que vai "tocar grandes obras", incluindo o término da Ferrovia Norte-Sul, iniciada em 1986 pelo então presidente José Sarney (PMDB). "É prioridade. Está na hora de acelerar e concluir essa estrada."

Serra citou ainda a responsabilidade do Planalto para reverter o aumento dos índices de violência. "O governo diz que segurança é uma questão dos Estados, mas contrabando de armas e de drogas é tarefa federal."

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