Bebê abandonado é encontrado por cadela em Minas Gerais

Cadela empurrou caixa de papelão com a criança, que ainda tinha o cordão umbilical, até a rua

Eduardo Kattah, especial para o Estado,

23 de julho de 2008 | 16h47

Localizado por uma cadela, um recém-nascido foi salvo na madrugada desta quarta-feira, 23, após ser abandonado em um terreno vago na cidade de Santo Antônio do Monte, região centro-oeste de Minas Gerais, a 185 quilômetros de Belo Horizonte. A cadela mestiça chamada Xuxa se tornou a atração do bairro Nossa Senhora de Fátima por ter encontrado e arrastado até a calçada a caixa de papelão em que o bebê estava. O recém-nascido, do sexo masculino, foi encontrado sujo de sangue e ainda com o cordão umbilical.  De acordo com vizinhos, por volta das 3h30, a dona da cadela, Maria Luzia Campos, de 27 anos, acordou com os latidos do animal. Estranhando o comportamento de Xuxa, a mulher decidiu abrir o portão. A cadela saiu em disparada, atravessou a rua e entrou no terreno, de onde saiu em seguida puxando pela boca e empurrando com o focinho a caixa de papelão.  Quando percebeu que se tratava de uma criança recém-nascida, Maria Luzia chamou o vizinho Valdeci Antônio da Silva, de 35 anos, que acionou a Polícia Militar. Na opinião de Valdeci, a ação de Xuxa foi providencial para a sobrevivência do bebê. "A gente não sabe quanto tempo a criança ficou lá no sereno. Estava bem frio aqui e se não fosse a cadela não tínhamos achado naquela hora e ela podia não ter sobrevivido."  Maria Luzia contou que só quando chegou perto da caixa de papelão conseguiu escutar o choro do recém-nascido. O bebê foi levado para a Santa Casa da cidade, onde permaneceu internado. Seu estado de saúde era considerado estável, segundo a psicóloga Janaína Machado. O recém-nascido chegou ao hospital com 44 centímetros e pesando 2,620 quilos. Ele passou por uma incubadora e depois foi colocado em um berço aquecido. O menino passaria por todos os exames clínicos e iniciou uma dieta nutricional. "Ele está respondendo bem, não apresenta nenhuma complicação", disse Janaína. "Mas ainda precisamos saber a história dessa gestação, se a mãe fez pré-natal e o que levou ela a abandonar o filho."  A Polícia Civil vai instaurar um inquérito para investigar o caso. Ainda não informações sobre o paradeiro da mãe da criança. Para resguardar a saúde do bebê, o juiz da Comarca de Santo Antônio do Monte, José Rafael Gontijo, proibiu a visita de curiosos ao hospital. "Nessas horas aparece um monte de mãe, de pai, querendo adotar", observou a psicóloga.

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