Bebê anencéfalo completa um mês nesta quarta-feira

Marcela de Jesus Ferreira, o bebê que nasceu com anencefalia, completa nesta quarta-feira, 20, um mês de vida. Desde o seu nascimento só saiu uma vez da Santa Casa de Patrocínio Paulista, na região de Ribeirão Preto, para um exame em Franca, que confirmou o quadro de anencefalia, embora tenha uma pequena parte do encéfalo (cérebro), que a mantém viva. Nesta terça-feira, 19, ela teve apnéias (paradas respiratórias) e, por isso, voltou a usar o capacete de oxigênio. "Por prevenção", diz a pediatra Márcia Beani Barcellos. A criança também perdeu peso e alimentação foi aumentada mais um pouco. Depois da primeira pesagem, quando nasceu, somente nesta terça o bebê voltou a ser pesado. Perdeu 200 gramas dos 2,533 quilos do nascimento. Os 47 centímetros permaneceram inalterados. "Normalmente um bebê engorda 30 gramas por dia num mês, mas, devido ao seu quadro clínico, era esperado que ela perdesse peso", comentou a pediatra. Ela lembrou ainda que, durante dez dias, após não conseguir mais sugar o leite (se amamentar) da mãe, Cacilda Galante Ferreira, de 36 anos, a criança foi alimentada com hidratação parental (soro na veia). Há vários dias Marcela é alimentada com leite, por meio de sonda. A alimentação à base de leite começou com 5 ml e na terça a pediatra aumentou de 20 ml para 30 ml. Cada dosagem de 30 ml é ministrada a cada três horas. Marcela não teve mais febre ou convulsões ultimamenteCacilda não sai do lado da filha, num dos quartos privativos da Santa Casa de Patrocínio Paulista. "Ela presta aquela assistência diária ao bebê", diz o provedor da Santa Casa, Emílio Bertoni. Católica, Cacilda mantém a sua fé na melhora da filha, embora saiba do seu grave quadro. Mas, assim como seus familiares, não mais fala com jornalistas. O marido, Dionísio, está estressado com a situação e sempre visita a mulher e a filha. O pai de Cacilda, Onofre Galante, segundo Bertoni, é o que mais sente a situação da neta. "Ele está abatido", informa o provedor. Sobre uma eventual alta hospitalar, apenas cogitada pela pediatra, desde que Cacilda sinta-se em condições de cuidar da filha e numa casa próxima da instituição de saúde, Bertoni informou que a mãe afirmou desconhecer a informação. "Ela ficará aqui até quando for preciso", disse Bertoni.O caso de Marcela despertou o interesse de muitas pessoas contrárias ao aborto. No site de relacionamentos Orkut, a comunidade "Força Marcela Oramos por Vc" foi criada em 29 de novembro e na tarde desta terça já contava com 611 membros, com mensagens de apoio e fé.

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