Bebê nasce com duas cabeças em Minas

Uma adolescente de 14 anos deu à luz, na noite de ontem, a gêmeos xifópagos na cidade de Ataléia, no Vale do Mucuri, a 516 quilômetros da capital mineira. Trata-se de uma criança do sexo masculino com duas cabeças ligadas a um único tronco, segundo o médico José Sabino de Oliveira, coordenador do Centro de Terapia Intensiva (CTI) Pediátrico do Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, para onde o recém-nascido foi transferido. "Do pescoço para baixo é como se fosse uma pessoa", disse Sabino. Os primeiros exames de ultra-sonografia revelaram que o bebê possui um coração e dois pulmões. Os médicos ainda investigam se outros órgãos apresentam anomalias. As cabeças são ligadas a duas colunas vertebrais, independentes, e não possuem ligação. "Estamos tentando identificar quais as más-formações, para avaliar as possibilidades de sobrevida", observou o médico, adiantando que o caso é raro na medicina e provavelmente o primeiro de que se tem registro no País. Sabino afirmou que os gêmeos dificilmente poderão ser submetidos a uma cirurgia para separação: "Tudo indica que essa cirurgia é pouco provável". A causa da má-formação, segundo ele, é desconhecida. O diretor clínico do hospital da Associação de Proteção à Maternidade e Infância de Ataléia, Geraldo Dias Amador, que participou como anestesista do parto da adolescente, não concorda com a avaliação de que se trata de gêmeos siameses. Ele prefere descrever o caso como uma "reunião de genes", já que não foram constatadas anomalias em outros órgãos. A adolescente foi submetida a uma demorada cesariana. No caso de parto normal, de acordo com Amador, mãe e filho teriam falecido. O bebê apresentou problemas respiratórios, mas se restabeleceu logo depois. O médico confessou que foi pego de surpresa. Nos exames de imagens ele havia identificado as duas cabeças, mas acreditava tratar-se de dois corpos. "A gente nunca havia se deparado com uma situação dessas". A mãe da criança continua internada no hospital. "Ela ficou assustada e hoje ela está mais deprimida do que ontem", informou Amador, que, apesar da anomalia, acredita que recém-nascido apresente condições normais para sobreviver. Segundo o médico, o pai do recém-nascido, um adolescente de 16 anos, cujo nome não foi identificado, declarou que má-formação não fará com que a criança seja rejeitada pela família.

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