Beija-Flor encerra desfile desta segunda-feira

A tricampeã do carnaval carioca, Beija-Flor, encerrou o primeiro dia de desfiles na Marquês de Sapucaí. A escola está em busca de um recorde: ser a primeira a ganhar quatro vezes consecutivas o troféu. A Beija-Flor levou para a avenida seu samba-enredo "Poços de Caldas derrama sobre a Terra suas águas milagrosas: do caos inicial à explosão da vida - água, a nave-mãe da existência". A agremiação de Nilópolis tem várias particularidades. Seu carnaval é pensado por uma comissão. Desde que foi criado o grupo carnavalesco, há oito anos, ou a escola é campeã ou é vice. A Beija-Flor apresenta também a madrinha de bateria mais nova do Rio de Janeiro. Com 15 anos, Rayssa Oliveira participa pela quarto ano no cargo. Desta vez ela usou lentes azuis. "É para combinar com a minha roupa e as cores da escola", disse, admitindo que ainda sente um "friozinho na barriga" antes do desfile. Ao contrário dela, que não quis dar um palpite sobre o desempenho da agremiação, o intérprete oficial, Neguinho da Beija-Flor, foi para a Sapucaí com o gosto da vitória. "Tem gente tentando que não sejamos tetra, mas estamos preparados", declarou, sem nomear quem torce contra. Na concentração, a porta-bandeira Selminha Sorriso mostrava-se confiante na vitória. Com vestido prata, de paetês, e unhas pintadas combinando com os adereços, contando que teria que dançar muito mais do que nos outros anos. "É uma roupa muito mais leve, tem metade do peso do vestido do ano passado, que tinha 40 quilos. Além disso, quase não tem penas, por isso é possível ver muito mais meus movimentos", explicou ela, que chorou antes de entrar na avenida ao lembrar da mãe, falecida no ano passado. A comissão de frente, com 15 componentes, representava a criação do universo, com os planetas, o sol, a lua, os quatro elementos e o caos inicial. O grupo realizou quatro coreografias diferentes, para homenagear os jurados, o público e o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Eles exibiam a explosão do universo, assim como o carro abre-alas, que veio nas cores preto, vermelha e amarela. Entre os carros alegóricos, um simulava um vulcão de onde teriam surgido as águas sulfurosas de Poços de Caldas, e o último, simbolizava a preservação da natureza. Dele rojou a água, segundo um dos diretores, abençoada, que fez a festa ao fim do desfile, quando o grito de "tetracampeão" tomou conta da dispersão. Apesar da empolgação, o presidente da Beija-Flor, Farid Abrahão David preferiu a cautela. "Vamos esperar", dizia, ao ser saudado pela vitória.

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