Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE

Beira-Mar acredita que será condenado por unanimidade

Ele é acusado de mandar matar inimigo dentro de prisão; cerca de 300 homens fazem segurança de tribunal

Marcelo Auler, enviado de O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2009 | 10h03

O traficante Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, de 42 anos, deixou sua cela nesta terça-feira, 10, na penitenciária federal de Campo Grande convencido de que será condenado, por sete votos a zero, no julgamento que começou nesta manhã no 1º Tribunal do Júri da capital de Mato Grosso do Sul. A informação foi dada por agentes penitenciários que fizeram a escolta do preso a alguns jornalistas que estão no fórum Heitor Medeiros.

 

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O próprio advogado de Beira-Mar, o carioca Wellington Correa da Costa disse que seu cliente sabe das dificuldades deste julgamento, tanto que lhe recomendou apenas que fizesse o melhor que pudesse. Marcado para começar às 8h local (9h de Brasília) a sessão atrasou porque os advogados de defesa - além de Costa irá atuar Luiz Gustavo Battaglin Maciel (de Campo Grande) - conseguiram do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida o direito de conversarem por quinze minutos em particular com o preso para prepará-lo para o interrogatório ao qual ele será submetido pelo magistrado.

 

Ao entrar no plenário às 8h43, Beira-Mar após confirmar seu nome, pediu ao juiz que retirassem suas algemas e seu colete a prova de bala, no que foi atendido. Acusado de ter mandado, por telefonema dado da Colômbia, presos da penitenciária estadual de segurança máxima de Campo Grande matarem seu inimigo João Morel, em janeiro de 2001, o traficante chegou ao fórum às 6h15 local, num comboio de 16 carros que foi acompanhado por um helicóptero.

 

Cerca de 300 homens fazem a segurança em torno do plenário do Tribunal do Júri, ao qual só terão acesso pessoas cadastradas. Jornalistas são mantidos em outra sala - na auditoria militar - assistindo ao que se passa no prédio ao lado por um telão.

 

Em Brasília, o ministro Jorge Muzzi, do Superior Tribunal de Justiça levará ao plenário da sua turma o habeas corpus que a defesa do traficante impetrou reivindicando sua transferência de Campo Grande para o Rio de Janeiro. Beira-Mar esta cumprindo pena fora do Rio desde 2004 e chegou ao presídio federal de Campo Grande em julho de 2007.

 

Em Campo Grande o traficante e seus defensores negarão a autoria do crime e tentarão desqualificar os depoimentos das duas testemunhas que dizem ter ouvido que foi ele quem mandou matar Morel. Pela acusação de homicídio qualificado - por motivos torpes e sem chance de defesa da vítima - Beira-Mar, que já tem mais de cem anos de pena em outros processos, poderá ser condenado a uma nova pena de no mínimo 12 anos e no máximo 30 anos.

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