Beira-Mar e Elias Maluco são intermediários, diz general Cardoso

Traficantes como Fernandinho Beira-Mar e Elias Maluco não são os responsáveis pelo crime organizado, disse nesta quinta-feira o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso. Ele diz estar preocupado com as declarações de alguns candidatos que os citam. "Eles são de um nível intermediário. O crime organizado está lá em cima. Os responsáveis são os que lavam dinheiro, financiando os gerentes de drogas e os compradores de armas", avaliou o general. Para ele, os dois atuam como "gerentes de drogas". Para combater o crime organizado, de acordo com o general Cardoso, é preciso continuar fortalecendo o núcleo básico de inteligência financeira do governo, que é integrado pelo Coafi, Receita Federal, o Departamento de Ilícitos Financeiros e Cambiais do Banco Central e o setor que atua contra fraudes na Previdência Social. Esses órgãos é que combatem a lavagem de dinheiro. De acordo com o general, os que lavam dinheiro são os mesmos que atuam na corrupção de agentes do Estado. "Me preocupa quando vejo, nos programas eleitorais, candidatos citarem esse nível intermediário como sendo crime organizado. O crime organizado é comandando por aqueles que precisam ter permanência e para ter essa permanência, precisam uma aparência de legalidade e para isso precisam lavar dinheiro." De acordo com Cardoso, os mentores do crime organizado são os que lavam dinheiro, financiam os gerentes para a compra de armas e drogas, dinheiro esse que é devolvido em dobro aos grandes chefes. As declarações foram no final da palestra, no seminário "Segurança na Informação", no anexo do Palácio do Planalto. O general defendeu que todos os setores do governo passem a ter mais preocupação com a segurança da informação. Lembrou que não fazem parte da cultura brasileira preocupações com a segurança e proteção ao conhecimento, mas é preciso mudar esse conceito. Segundo ele, além dos próprios inventores, os órgãos que produzem conhecimento, como a Embrapa, deveriam estar atentos a isso. "Não temos levantamentos sobre os setores que estão vulneráveis, mas sabemos que setores como a Embrapa são mais assediados e podem se tornar alvos", disse.

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