Beira-Mar é transferido para Batalhão de Choque da PM

Dois dias depois de liderar uma chacina, que deixou quatro mortos no presídio de Bangu 1, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi transferido hoje para o Batalhão de Choque da Polícia Militar, no centro do Rio. A decisão de retirá-lo do presídio foi tomada pela governadora Benedita da Silva como "punição disciplinar". O traficante ficará em cela individual, monitorado 24 horas por dia por uma câmera, até que seja determinado seu destino definitivo. Benedita da Silva assegurou que o traficante ficará em "isolamento total".O trajeto entre Bangu 1 e o Batalhão de Choque levou 50 minutos e foi acompanhado por cerca de 50 policiais. Beira-Mar chegou às 15h50 no banco de trás de um camburão, escoltado por um PM de cada lado. Mais quatro traficantes também foram levados para o BPChoque: Marco Antônio Pereira da Silva, o My Thor, Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, Márcio Macedo, o Gigante, e o Chapolim. Outros cinco traficantes também foram transferidos ontem à noite, entre eles Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, que foi levado por engano para um batalhão de Niterói e teve de ser levado depois para outra unidade da cidade. Permaneceram em Bangu 120 detentos."O Batalhão de Choque dará toda segurança para a manutenção de Fernandinho Beira-Mar até que outras decisões sejam tomadas", afirmou a governadora Benedita da Silva. Ela informou que espera a transferência do traficante para outro Estado, mas que não está negociando com nenhum governador. "Esse não é o meu papel. Essa é uma questão federal, ele pertence a uma rede internacional criminosa e, portanto, meu diálogo tem sido com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Estamos aguardando que as decisões judiciais respaldem essa nossa vontade de não tê-lo no Estado do Rio de Janeiro." Os cinco traficantes presos no BPChoque ficarão em isolamento total, sem contato entre si ou com o mundo externo. A decisão de levá-los para lá foi tomada no dia do motim, mas só foi concretizada hoje porque a Secretaria de Segurança precisou de dois dias para adaptar o Batalhão e montar um esquema especial de segurança para receber os traficantes. Não se sabe por quanto tempo eles ficarão ali.Beira-Mar ficará num cubículo feito especialmente para ele, construído quando o traficante foi preso na Colômbia e se cogitou a possibilidade de ele cumprir pena no BPChoque - Beira-Mar, no entanto, ficou em Bangu por ser preso já condenado. A informação foi confirmada pelo subcomandante do BPChoque, tenente-coronel De Castro, mas a assessoria de imprensa do governo disse desconhecer essa cela. O prédio do BPChoque abriga ao todo seis unidades da PM, com 2.200 policiais. Ali ficam presos ex-policiais militares condenados e outros que ainda aguardam julgamento. CelsinhoA transferência de Celsinho da Vila Vintém foi conturbada. O impasse foi criado quando agentes do Serviço de Operações Especiais (Soe) desembarcaram o traficante, por volta das 22h30, no 12º BPM. Policiais que estavam de plantão foram surpreendidos pela chegada do criminoso e não permitiram que ele ficasse ali. Na verdade, ele deveria ter sido levado para o Comando de Policiamento do Interior, a alguns metros dali. A confusão durou cerca de 20 minutos. Em imagens registradas pela TV Globo, Celsinho aparece com dificuldades de descer algemado do camburão, carregando suas coisas, amontoadas num cesto de plástico. Ao ser informado de que não poderia ficar ali, Celsinho dá de ombros e faz expressão de que está conformado. Em outra cena, o traficante aparece sorrindo, em animada conversa com os policiais.JustiçaO advogado de Marcinho VP e Gigante, Paulo Cuzzuol, disse que pode questionar na Justiça a transferência dos seus clientes para o Batalhão de Choque, alegando que eles já são condenados e devem ficar em presídios. "Houve um rompimento de acordo. A permanência em Bangu 1 foi uma das exigências para que o movimento acabasse. O juiz de Execuções Penais terá que se manifestar sobre a legalidade disso", afirmou.Cuzzuol disse que a resolução da Secretaria de Justiça, para punir os detentos indisciplinados não pode ser usada contra os rebelados de Bangu. "A lei não pode retroagir para prejudicar. E ao mandá-los para cá (Choque), eles já estão sendo punidos", afirmou.A segurança do Complexo de Bangu foi reforçada esta tarde, depois da retirada de Beira-Mar. A medida foi preventiva, para evitar qualquer rebelião. No início da tarde, cerca de 200 policiais civis iniciaram uma revista em todas as unidades do complexo. Eles entraram desarmados nos presídios e colocaram os detentos no pátio. Até o início da noite o resultado da operação não havia sido divulgado.

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