Beira-Mar fica em SP o tempo que for necessário, diz secretário

O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, permanecerá preso no Presídio de Segurança Máxima de Presidente Bernardes pelo "período que for necessário", disse hoje, em entrevista coletiva, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu. "Não estamos preocupados se o Beira-Mar vai ficar no presídio por 30, 60 ou mais dias", afirmou. Segundo ele, o governo paulista aceitou o retorno do traficante porque há um consenso entre os governos estadual e federal de que a única penitenciária de segurança absoluta capaz de manter Beira-Mar em regime de isolamento é a de Presidente Bernardes, na região de Presidente Prudente, no extremo Oeste do Estado. "O período que ele ficou aqui se comportou bem, ficou bonzinho e não tivemos nenhuma dificuldade", disse, referindo-se ao período de 30 dias que o traficante permaneceu em março. De acordo com o Saulo de Castro, a situação neste momento é diferente da do anterior. "Da outra vez nos foi solicitado um prazo de 30 dias e isso foi cumprido. Agora, não há prazo. Ele (Beira-Mar) ficará ali até o momento em que os governos federal e do Estado do Rio de Janeiro entenderem que a situação da prisão desse traficante estiver equacionada", complementou. Ele insistiu que a manutenção do preso em São Paulo é um ato de solidariedade do Estado para com a União e os outros Estados. "Quando São Paulo precisou também recebeu ajuda dos outros Estados. Temos prendido gente no Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia e Mato Grosso do Sul", citou. O secretário enfatizou a importância de o governo federal acelerar a construção de penitenciárias de segurança máxima, ao mesmo tempo em que recomendou ao Senado que retire da legislação do novo código penal, hoje em tramitação, o prazo máximo de 365 dias em que o condenado possa permanecer em um presídio de segurança máxima. "Precisamos parar de legislar com prazo. Penitenciária de segurança máxima serve para desmantelar poder de quadrilha, não é para recuperar pessoas e nem faz parte de um sistema penitenciário ou de política carcerária. É um presídio de segurança pública para combater o crime organizado, e esse criminoso deve ali permanecer pelo período que for necessário", defendeu.Saulo de Castro informou que a chegada de Beira-Mar ao interior paulista se deu dentro da normalidade; o traficante já foi trancafiado e passa hoje pelo período de adaptação exigido pelas normas da penitenciária.Antes: ?De jeito nenhum?Na primeira transferência de Beira-Mar para Presidente Bernardes, em março, o governador Geraldo Alckmin disse que o traficante não ficaria em São Paulo "de jeito nenhum", após vencido prazo de 30 dias inicialmente acordado com o governo federal. Diante da falta de alternativas, o Planalto tentou negociar com o governador de Mato Grosso do Sul, José Orcílio dos Santos, o Zeca do PT, que rejeitou receber Beira-Mar. A última opção foi Ronaldo Lessa (PSB), de Alagoas, que aceitou o traficante, mas condicionou sua estada por apenas 40 dias.Ao se aproximar o prazo acertado entre Maceió e Brasília para a permanência de Beira-Mar em Alagoas, especulou-se que o traficante voltaria a São Paulo. Ainda ontem, Alckmin negou enfaticamente que o criminoso retornaria a Presidente Bernardes.No ano passado, e portanto antes da primeira transferência do traficante a Bernades, quando ainda se discutia a necessidade de se transferir Beira-Mar do presídio de Bangu, Alckmin garantia que não havia a possibilidade de o Beira-Mar ser transferido para São Paulo. "Não é preso de São Paulo e o Estado não vai receber." O governador afirmou na época que o Rio deveria cuidar de seus presos. Alckmin completou dizendo que São Paulo resolveu o problema de seus presos perigosos construindo a mais segura penitenciária do País. "Para isso, fizemos a Penitenciária de Presidente Bernardes, a Supermax."Veja o especial:

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