Beira-mar no ES irrita governo e PF e ainda recebe visita

A transferência do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, de Catanduvas para o Espírito Santo, por determinação da Justiça, irritou a Polícia Federal e o governo do Estado. Surpreendido pela chegada do criminoso, o governador Paulo Hartung (PMDB) classificou a operação de ?passeio? e ?cena para a imprensa?. ?É desperdício de dinheiro?, disse. Beira-Mar está a caminho do Rio de Janeiro, onde acompanhará, na segunda-feira de manhã, o depoimento de testemunhas num processo que corre contra ele na 5.ª Vara Federal. O superintendente da PF no Espírito Santo, Geraldo Guimarães, ressaltou que não pode atuar como ?babá de preso?. A PF local alega que a transferência causou problemas no atendimento à população - serviços foram suspensos e 40 agentes tiveram de ser desviados das funções. ?Eu venho lutando há muito tempo contra fazer da PF condutora de presos. Não é nossa atribuição.? O superintendente da PF no Estado defendeu a utilização do sistema de videoconferência como forma de evitar o transporte de presos. Segundo ele, o presídio federal de Catanduvas, no Paraná, onde Beira-Mar estava detido, tem o recurso necessário. O traficante foi levado ao Estado ao lado do traficante capixaba Rogério Silva, o Rogerinho do Village, que acompanharia audiência em Cachoeiro de Itapemirim.Segundo o site Gazeta On line, na manhã deste sábado, 3, Beira-Mar, recebeu a visita de uma mulher, que levou roupas e material de higiene para ele na Superintendência da Polícia Federal, em São Torquato, Vila Velha, no Espírito Santo, onde se encontra detido. Para levar a encomenda ela teria viajado do Rio para Vitória, apenas com a roupa do corpo, a pedido da advogada do traficante. Segundo o site, a mulher permaneceu menos de cinco minutos na superintendência da PF.De acordo com informações da Polícia Federal, no Espírito Santo, não há previsão do horário em que o narcotraficante deixará o Estado com destino ao Rio de Janeiro.Translado custa R$ 17.400O objetivo de transferir os presos Beira-Mar e Village juntos seria reduzir gastos. O governo federal não fechou a conta, porque alguns custos são intangíveis, mas só com o traslado de ida e volta, o erário gasta R$ 17.400, sendo R$ 12 mil com combustível e R$ 5.400 com as diárias dos policiais da escolta. Beira-Mar precisa acompanhar duas audiências no Rio, como foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em dezembro, o ministro Celso de Mello considerou que, se ele não estivesse presente nas audiência, seria ferido seu direito de defesa. Como a superintendência da PF no Estado não tem carceragem, o criminoso ficou detido na sede capixaba. O governador do Rio, Sergio Cabral, colocou a polícia estadual à disposição da PF, mas ressaltou que o ideal seria não trazer Beira-Mar ao Estado. (Fabiana Cimieri, Felipe Werneck, Adriana Chiarini, Laura Diniz e Vannildo Mendes)

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