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Beira-Mar pode não ir mais para o Piauí

A União já estuda a possibilidade de transferir o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, para outra penitenciária e não mais para o Piauí. A reação popular e a pressão política fizeram com que o governador Wellington Dias (PT) mudasse de idéia, e, com isso, o Ministério da Justiça acha inclusive muito difícil levar a cabo a idéia de federalizar a penitenciária local para que ela passe a receber presos de alta periculosidade de todo o País, como se pretendia.Por enquanto, as autoridades federais não têm nenhuma nova opção para o destino de Beira-Mar, detido provisoriamente na Superintendência da Polícia Federal em Maceió. Num encontro que terá nesta quarta-feira com Wellington Dias, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, vai tentar convencê-lo a manter a idéia de federalizar o presídio Irmão Güido e de receber o traficante e outros bandidos perigosos no Piauí.Mesmo assim, o governo já sabe que será impossível concluir as obras da penitenciária em 40 dias, como previa. É que o presídio terá que ser praticamente refeito para ter segurança, já que antes abrigava menores infratores. "As instalações do presídio são precárias pelo fato de os presos que ali estavam serem de pequeno porte", afirmou uma fonte do governo, que preferiu não ser identificada, uma vez que o assunto está sendo tratado diretamente por Thomaz Bastos e a Casa Civil da Presidência da República. "Mesmo se corrermos contra o relógio, não haverá tempo suficiente para terminar as obras e transferir Beira-Mar em 40 dias", disse a fonte.A União também não pretende estender o prazo de permanência de Fernandinho Beira-Mar em Maceió porque o acordo feito com o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), prevê que ele fique lá somente por 40 dias. Além disso, o custo da custódia do traficante está sendo elevado, já que a maior parte dos policiais que estão vigiando o local é do Comando de Operações Táticas (COT), de Brasília. "Quando acabar o prazo, teremos que tirá-lo. Começará tudo de novo", afirmou a fonte.O desejo de Beira-Mar é retornar ao Rio de Janeiro, onde mantém sua base de operações do tráfico de drogas. O argumento que irá usar, segundo disse a policiais que o transportaram da penitenciária de Presidente Bernardes para Alagoas, é uma declaração do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, de que ele é um preso da Justiça do Rio."Beira-Mar afirmou que iria recomendar a seus advogados que os recursos sejam baseados no que o ministro declarou", disse um dos agentes que viajaram com o traficante.Os 30 dias em que ficou confinado em Presidente Bernardes serviram como "castigo" para Beira-Mar. Pelo menos foi o que ele mesmo declarou aos policiais que o custodiaram até Maceió. O traficante estava falante, algumas vezes sorridente e chegou até a elogiar os funcionários da penitenciária de Presidente Bernardes.Mesmo sem ter um interlocutor freqüente ? os agentes preferiam ficar calados ?, Beira-Mar falou durante todo o trajeto, sempre se referindo à sua situação. "Ele procurava puxar conversa, sempre de forma gentil. Mas reclamou do sistema prisional de São Paulo, que seria muito rígido", afirmou um dos policiais.Para Beira-Mar, a penitenciária onde ficou por 30 dias incomunicável não é adequada a uma pessoa normal. "O preso considerou que estava sendo castigado ao ser transferido para o interior paulista, principalmente para um estabelecimento de segurança máxima como Presidente Bernardes." Veja o especial:

Agencia Estado,

31 de março de 2003 | 19h31

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