Beira-Mar tem comida revistada e vigia no banho de sol

Como os demais 67 presos da penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, comeu nesta sexta-feira arroz, feijão e carne e uma laranja no almoço. Nada de pizza ou comida de restaurante. A refeição foi preparada pelos detentos da outra penitenciária de Bernardes, que abriga presos comuns.Antes de chegar à cela número 9, ocupada pelo traficante, a comida foi revistada por agentes penitenciários. Um sistema de sorteio de agentes impede que os funcionários saibam com antecedência quem vai ter contato com o traficante carioca, que, como os outros detentos, está com a barba e o cabelo raspados."Aqui não vai ter moleza. Vamos tratá-lo como um preso deve ser tratado", disse o diretor da prisão, Antônio Sergio de Oliveira.A pedido da Secretaria da Administração Penitenciária, a segurança externa da prisão foi reforçada pela Polícia Militar, que enviou homens armados com fuzis para proteger a barreira da estrada e a muralha da penitenciária.Beira-Mar acordou de manhã, tomou café e almoçou na cela em que permanecerá sem banho de sol e isolado por mais nove dias. Depois, poderá ir tomar banho de sol no pátio, mas será sempre acompanhado por quatro agentes e um cão pastor ou rottweiler.Também poderá receber visita, mas apenas de advogados que tenham procuração e dois parentes. Até lá, terá contato só com os agentes.Exemplo disso é que, nesta sexta, Patrícia Soares Queiroz, advogada do traficante, e Débora Cristina Costa, irmã do criminoso, foram mais uma vez impedidas de entrar na prisão - já haviam tentado nesta quinta-feira.Não puderam nem mesmo enviar as frutas que haviam comprado para Beira-Mar, pois o regulamento da penitenciária não permite. A advogada, desta vez, estava acompanhada pelo presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bernardes, Edilson Carlos de Almeida.Patrícia procurou a OAB alegando que seu trabalho estava sendo obstruído. Em vão. Portaria da secretaria determina que as visitas de advogados à penitenciária sejam agendadas com dez dias de antecedência. Sem poder falar com o cliente ou enviar-lhe frutas, Patrícia teve apenas uma solicitação atendida: deixar uma Bíblia para Beira-Mar.Nesta quinta-feira à tarde, Patrícia e Débora foram a um shopping de Presidente Prudente e compraram roupas, calçados e bolsas. Também alisaram os cabelos. Tudo pago em dinheiro. Nesta sexta, as duas foram ouvidas pela Polícia Federal (PF) antes da viagem para São Paulo.Já estavam no avião quando tiveram de desembarcar, retardando a viagem em 12 minutos. Nesse tempo responderam a perguntas da delegada Lúcia Barbosa Machado Castralli. A ordem de ouvi-las foi da direção-geral da PF.O clima em Presidente Bernardes já era mais tranqüilo nesta sexta do que no dia anterior. A população de 15 mil habitantes foi tomada de surpresa pela chegada de Beira-Mar, inclusive o prefeito, padre Umberto Laércio Bastos de Souza (PTB). O temor da população não é com o que se passa no presídio, mas fora dele."A gente teme que o pessoal do crime organizado invada a cidade e por isso há moradores fechando os portões com cadeados, numa cidade em que os portões ficavam abertos", diz o motorista da prefeitura Joaquim de Souza.Veja o especial:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.