Beira-Mar volta a Catanduvas; viagem custou R$ 50 mil

O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, deixou a sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro por volta das 7h40 desta terça-feira, 5, rumo ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, onde devia pegar um avião para retornar ao presídio de Catanduvas, no Paraná. Beira-Mar foi ao Rio de Janeiro para acompanhar parte do processo no qual é acusado de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação para o tráfico. Detido na Penitenciária Federal de Catanduvas, considerada a mais segura do País, Beira-Mar deixou o Paraná na sexta-feira, 2, e foi para o Espírito Santo, onde ficou até a manhã de segunda-feira, 5. Sob forte escolta policial que mobilizou pelo menos 50 agentes federais, 12 carros, nove motos e um avião, Beira-Mar, foi levado para o Rio de Janeiro, onde acompanhou o depoimento de seis testemunhas num processo em que é acusado de crimes financeiros.O deslocamento Paraná-Espírito Santo-Rio-Paraná custou aos cofres públicos R$ 50 mil só em combustível, segundo cálculos da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), que calcula que o governo já gastou R$ 200 mil com as viagens de Beira-Mar desde 2001.O diretor parlamentar da Fenapef, Edison Tesseli, calcula que Beira-Mar já viajou cerca de 20 mil km, a um custo de US$ 1,5 mil a hora de vôo, em 15 deslocamentos pelo País. "Não incluí nos gastos a despesa com diárias de agentes, que está em torno de R$ 120."Audiência canceladaNa segunda-feira, após duas horas e meia de audiência, os advogados do traficante pediram que os depoimentos marcados para esta terça-feira fossem adiados. O advogado Marco Aurélio Torres Santos alegou que não havia conseguido localizar as testemunhas de defesa que seriam ouvidas.A juíza Simone Schreiber disse que Santos havia dispensado a intimação judicial e ficou ele próprio de chamar as testemunhas. "Tive a idéia de marcar as audiências em dias consecutivos para reduzir os gastos com o deslocamento", afirmou Simone. Santos tem dez dias para demonstrar à juíza que os depoimentos são "relevantes para o processo". Caberá à juíza decidir se Beira-Mar será chamado para outra audiência no Rio.TestemunhasNa segunda-feira, os seis policiais que atuaram na prisão do advogado do traficante, Paulo Roberto Cuzzuol, em 2004, quando ele tentava entrar no Paraguai com US$ 320 mil, foram ouvidos pela juíza Simone. Por decisão do Supremo Tribunal Federal, Beira-Mar pôde acompanhar o depoimento na 5ª Vara Federal Criminal.De acordo com a juíza, Beira-Mar se mostrou "educado" e fez algumas observações durante os depoimentos. "O intuito da presença dele é para que possa munir seus advogados de elementos para que possam inquirir as testemunhas." O traficante está sendo acusado de lavagem de dinheiro, tentativa de evasão de divisas e associação para o tráfico, cujas penas vão de 8 anos a 26 anos de prisão. Para que chegasse à Justiça Federal ao meio-dia, foi retirado às 8h50 da superintendência da PF em Vila Velha (ES). Seguiu até o aeroporto de Vitória num comboio de sete carros - três da Guarda Civil - e nove motocicletas. O trânsito foi interditado. No aeroporto, um vôo da Gol teve de atrasar o pouso.No Rio, ele foi levado num furgão. Cinco carros da PF faziam o bloqueio para que outros veículos não ultrapassassem o veículo que conduzia o traficante. Agentes federais mantinham fuzis para fora das janelas.O 10º andar da Justiça Federal foi interditado. Uma audiência coletiva da 1ª Vara Trabalhista foi cancelada e nem todos foram avisados a tempo. "Tive de chegar com antecedência, enfrentei uma fila enorme por causa das revistas e ainda cancelaram", reclamou o aposentado Nelson Coelho, de 59 anos.

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