Belo deve se entregar na quinta-feira, diz advogado

O desembargador Carmine Savino Filho, da 7.ª Câmara Criminal do Rio, negou hoje pedido de habeas-corpus para o cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, que está foragido há uma semana, desde que a Justiça decretou sua prisão preventiva. O pedido havia sido impetrado na noite de ontem pelo advogado Alberto Leite Fernandes, do interior de São Paulo, que não é defensor do artista e enviou o recurso por fax.O advogado do cantor, Alberto Louvera, disse que Belo deve se entregar até a noite desta quinta-feira. "Ele já deixou a Região Sul do País e está a caminho do Rio de Janeiro, onde deve chegar entre a noite de quinta-feira e a manhã de sexta". Louvera recusou-se a revelar como o cantor está fazendo a viagem de volta.O paulista Fernandes disse que não conhece Belo pessoalmente e também não teve contato com amigos ou parentes do cantor. Ele contou que enviou o pedido de habeas-corpus numa tentativa de ajudar o artista. Pela legislação brasileira, um advogado pode pedir habeas-corpus para outra pessoa, mesmo que não esteja no caso. No recurso, o advogado paulista alega que Belo tem bons antecedentes, emprego e residência fixos, e não poderia ser acusado de associação para o tráfico apenas por falar ao telefone. O advogado Michel Assef, que esteve prestes a assumir a defesa do cantor, disse hoje que ele se tornou "indefensável" depois da divulgação da fita em que o cantor negociava com seu ex-advogado Sylvio Guerra o pagamento de propina para policiais.O desembargador Carmine Savino Filho negou o habeas-corpus porque entendeu que não tinha informações necessárias para tomar a decisão. "Não há dados necessários em torno do constrangimento legal postulado", escreveu. Savino Filho pediu explicações sobre o caso à juíza da 34.ª Vara Criminal, Rute Lins Viana, que decretou a prisão preventiva. Ele solicitou também uma cópia da denúncia contra Belo, do inquérito policial, e um parecer do Ministério Público Estadual a respeito do pedido de habeas-corpus.Louvera criticou a atitude do advogado paulista. "Isso é coisa de quem está em busca de notoriedade. Ele é um lunático", afirmou. Louvera, que integra a defesa de Belo junto com os advogados Ary Bergher, Remo Lainetti, Raphael Mattos e Márcio Delambert, disse que a equipe ainda não decidiu se entra com pedido de habeas-corpus para Belo.O aparecimento do advogado paulista interessado em ajudar Belo é mais um episódio na conturbada defesa do artista. O primeiro advogado do caso foi Sylvio Guerra, que pediu R$ 300 mil ao cantor para pagar uma suposta propina a policiais, a fim de que Belo não fosse denunciado por associação para o tráfico. Guerra deixou a defesa e o episódio da extorsão veio à tona no fim de semana, quando o novo advogado do cantor, Alberto Louvera, divulgou a gravação da conversa entre Guerra e Belo.A decisão de divulgar a fita atrapalhou a negociação entre o empresário de Belo, Cláudio Lisa, e o advogado Michel Assef, que deveria assumir o caso. Menos de 24 horas depois de dar entrevistas como advogado do cantor, Assef voltou atrás. "Não posso defender um cliente com quem não converso", afirmou.

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