Beltrame adia obra do PAC em ''Faixa de Gaza'' carioca

A falta de segurança no Rio começa a atrapalhar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, recomendou o adiamento da interdição de 2 quilômetros da Avenida Leopoldo Bulhões, no Complexo de Manguinhos, por temer que motoristas trafegando em velocidade baixa fiquem mais expostos a roubos praticados por criminosos das favelas, situadas às margens da via por onde passam 66 mil carros por dia. O cotidiano de tiroteios e mortes fez a região ser apelidada de "Faixa de Gaza". Beltrame voltou a dizer ontem que o local "não pode ser interditado sem planejamento" e revelou que encomendou ao 22º Batalhão de Polícia Militar de Bonsucesso estudo sobre o reforço do policiamento. Apesar do adiamento, o vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão, negou interrupção das obras. "As obras não foram paralisadas. Estamos fazendo a confecção dos dormentes da nova linha férrea. Apenas por questão de precaução, Beltrame recomendou o adiamento da interdição da pista para elaboração de um plano de segurança. Acredito que em cerca de dez dias o plano esteja pronto", disse Pezão. O trecho interditado deve ser reaberto em 2010. A Leopoldo Bulhões é paralela à Avenida Brasil e foi criada para ser uma alternativa à principal via expressa da cidade para os moradores da zona norte. No entanto, muitos motoristas evitam trafegar na avenida que fica entre duas favelas rivais, Manguinhos e Mandela, alvos de incursões da polícia. No dia das eleições, um tiroteio entre traficantes de Manguinhos e a PM resultou na morte de uma mulher e deixou outros dois feridos. Em maio, a avenida ficou fechada por mais de 17 horas por causa de troca de tiros entre criminosos das favelas. Sem comércio e empresas, a Leopoldo Bulhões serve de passagem para muitos dos 7.500 funcionários da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cuja entrada dos fundos fica na avenida. A instituição de ciência e tecnologia cogitou blindar as janelas de um prédio em 2007, após a fachada ser atingida por mais de dez balas perdidas.

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