Beltrame afirma que dificuldade para formar policiais não muda cronograma das UPPs

Secretário de Segurança do RJ pediu à presidente Dilma a extensão da presença do Exército no Complexo do Alemão para viabilizar efetivo na Rocinha

Alexandre Rodrigues, da sucursal do Rio de Janeiro,

13 Novembro 2011 | 12h19

UPP - Apesar das dificuldades para acelerar o cronograma de formação de novos policiais para atuar nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que o governo fluminense tem condições de continuar o plano para atingir 40 UPPs.

Ele admitiu que ainda é preciso enfrentar dificuldades no recrutamento, formação e remuneração dos policiais no Estado, mas disse que a expansão das UPPs está seguindo um "passo seguro".

Embora o governador Sérgio Cabral tenha relatado que pediu a prorrogação da presença do Exército no Complexo do Alemão até junho do ano que em para viabilizar a UPP da Rocinha, Beltrame disse que os concursos públicos para contratar novos policiais estão garantidos.

Para o secretário, o sucesso de mais uma tomada de favela do tráfico sem confrontos está baseado na união de instituições de vários níveis de governo em torno do que ele chama de filosofia. "Ação combinada e quebra de paradigma territorial. Esses são os trunfos do Rio de Janeiro que a população tem hoje", resumiu.

Beltrame disse que a ocupação da Rocinha encerra a primeira fase da estratégia iniciada há um mês, que consistiu no enfraquecimento da facção criminosa que dominava a Rocinha, a Amigo dos Amigos (ADA), com incursões em outras favelas da quadrilha. Segundo ele, a série de prisões que culminou na captura de Antonio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, na última quarta-feira, contribuiu para o sucesso da operação de hoje. No entanto, ele afirmou que começa agora uma segunda fase, de varredura da comunidade para localizar outros criminosos, drogas e arsenais, que pode ser mais lenta.

"Armas, drogas, munição, pessoas, isso é importante. Mas devolver a dignidade e o território para quem não tinha não é pouco", disse.

Cabral - "Hoje é mais um dia histórico de virada de página do Rio", disse o governador do RJ, Sergio Cabral (PMDB).

Com a conquista da Rocinha em apenas duas horas, ele telefonou para a presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para relatar o sucesso da Operação 'Choque de Paz', realizada na manhã deste domingo, 13.

O governador chegou ao centro de operações, montado no 23º Batalhão do Leblon, pouco depois de ter conversado por cerca de 30 minutos com Dilma. Ele revelou que o planejamento desta operação foi iniciado há cerca de quatro meses, a partir de uma reunião reservada com a presidente em São Paulo. Na ocasião, o secretário José Mariano Beltrame revelou os planos e pediu a extensão da presença das tropas do Exército no Complexo do Alemão como forma de viabilizar efetivo para a UPP da Rocinha. 

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