Beltrame defende ação no Alemão; morte de Tota será apurada

Policiais invadiram o complexo em busca do corpo de Tota, líder do tráfico que teria sido morto por rivais

17 de setembro de 2008 | 21h31

Para o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, a ordem para o suposto assassinato do traficante Antônio José Ferreira, o Tota, e seus cúmplices, teria partido de um "comando superior", ou seja, de lideranças do Comando Vermelho (CV). Nesta quarta-feira, 17, um policial civil e dois supostos traficantes morreram durante confronto no Complexo do Alemão, onde policiais fizeram uma operação em busca do corpo de Tota. Veja também: Galeria de fotos da operação no Alemão  Polícia invade o Alemão, 3 morrem e 4 corpos são encontrados Beltrame não descartou a possibilidade de o crime ter sido encomendado por Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que cumpre pena no presídio federal de Campo Grande (MS) e esteve no Rio na segunda-feira, 15, para assistir ao interrogatório de testemunhas em um processo em que é réu. Outro suspeito de ter mandar executar a quadrilha que dominava o Complexo do Alemão é o traficante Marcio Nepomuceno, o Marcinho VP, preso em Catanduvas (PR). O motivo do assassinato, de acordo com o subsecretário de Integração Operacional, Roberto Sá, será apurado a partir do inquérito aberto com o encontro dos corpos. Ainda nem se tem certeza de que entre os restos mortais carbonizados de quatro pessoas está Tota. "Não há como fazer reconhecimento do corpo, mas se tiver material para coleta de DNA, faremos o teste para identificar os mortos. Temos alguns informes da motivação, mas não há, por enquanto, hipótese mais forte". Sá informou que, até agora, não há nenhum indício de que o seqüestro de três chineses e de um diplomata vietnamita no mês passado tenha relação com o crime. Ele afirmou considerar possível a hipótese de uma tentativa de mudança de quadrilha de Tota e concordou que "uma tomada de poder como essa (com a morte de líderes de um morro), só pode ser dada por chefes". Para ele, a única forma de evitar que presos dêem ordens de dentro das celas seria se os presos não tivessem contato com o mundo externo. "Mas os presos se comunicam com as visitas e elas podem passar adiante essas ordens", lamentou.  Beltrame defendeu as megaoperações como a desta quarta, que contou com 800 policiais civis e militares, em 300 carros. Segundo o secretário, a geografia do Complexo Alemão, permite que um traficante no alto de uma escadaria confronte e impeça a passagem de um grupo de até 40 policiais. "As ações maciças da polícia impedem a reação", afirmou ele, acrescentando que esse tipo de ação traz mais segurança para os policiais e são disparados menos tiros, reduzindo o risco para a sociedade.  O horário em que os policiais entraram no complexo, por volta de 9h30, foi escolhido porque é a hora em que o movimento de moradores indo para o trabalho e levando crianças à escola é menor. Beltrame voltou a defender o uso de carros blindados, apelidados de Caveirão. Na segunda, um desses veículos quebrou no meio de um confronto, depois de, segundo o secretário, ter sido atingido por pelo menos quatro granadas, que deslocaram o módulo elétrico. "insistimos que esse equipamento é para transportar a tropa. Se não fosse blindado, teria sido uma tragédia. Os policiais saíram ilesos", comemorou.

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