Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Beltrame desiste de pedir ao Exército para reocupar Complexo do Alemão

O secretário de Segurança do Rio disse que quer 'ação mais racional e menos traumática'

Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2014 | 16h51

RIO - Quatro dias depois de cogitar solicitar auxílio do Exército para reocupar o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, por causa dos sucessivos episódios de violência na região perpetrados por traficantes que resistem à política de pacificação, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, voltou atrás e disse nesta quinta-feira, 13, que não pedirá ajuda das Forças Armadas.

"Não vou pedir para o Exercito voltar. Quando eu me manifesto em relação ao Exército ou a qualquer outra instituição, é no sentido do entrosamento, da relação que nós temos com qualquer força. Seja com bombeiro, seja com Exército (que até está com representante hoje aqui), seja com Ministério da Defesa, Polícia Federal, Polícia Rodoviária. Mas não vamos lançar mão do Exército", afirmou Beltrame, em entrevista coletiva sobre a ocupação das comunidades Vila Kennedy e Metral, na zona oeste do Rio, para implementação da 38ª UPP.

A possibilidade de pedir ajuda do Exército foi levantada pelo próprio secretário, em entrevista publicada na edição de domingo, 9, do jornal O Globo. Na sexta-feira, 7, Beltrame participou de uma reunião com a cúpula da segurança do Estado, durante a qual foram abordadas as três mortes de policiais militares em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas nos complexos do Alemão e da Penha.

"Queremos uma ação mais racional e menos traumática. (...) Não podem morrer mais policiais da maneira que vem acontecendo. Não que a morte de um policial não seja normal, pois são percalços da profissão. Mas estamos analisando todas as possibilidades friamente", afirmou na entrevista ao jornal O Globo.

Considerado o quartel-general do Comando Vermelho, os complexos do Alemão e da Penha foram invadidos pelas forças de segurança em novembro de 2010, após uma onda de ataques a ônibus e postos policiais que levou pânico à cidade. A Força de Pacificação do Exército permaneceu nos dois conjuntos de favelas até meados de 2012, quando foram inauguradas oito UPPs na região.

Vila Kennedy. Na entrevista desta quinta-feira, 13, Beltrame classificou de "terrorismo contra o Estado" os recentes ataques do tráfico a policiais das UPPs no Alemão e na Rocinha (zona sul).

"Entendemos que essas ações (ataques) são um terrorismo contra o Estado, os agentes públicos, e os policiais civis e militares, que estão lá dentro para libertar pessoas que estão tiranizadas. Nós entendemos dessa forma".

O secretário disse ainda que considera um "exagero" dizer que o programa das UPPs esteja ameaçado por conta do recrudescimento da violência de traficantes em favelas pacificadas.

"Temos atualmente 38 UPPs e não há problemas nas 38. Temos problemas em duas áreas, as mais populosas, que ultrapassam os 100 mil habitantes cada uma", afirmou Beltrame, referindo-se ao Alemão e à Rocinha. "São problemas difíceis por causa da topografia, da ocupação desordenada e da tirania do tráfico."

Segundo o secretário de Segurança, mesmo com os ataques de traficantes, as favelas pacificadas são melhores hoje do que no passado. "Não posso ser leviano de dizer as pessoas que não vamos ter ações tristes no decorrer desse processo. Tiros que o Rio de Janeiro conviveu por 30 anos, e nunca ninguém fez nada. Nós estamos fazendo, estamos trabalhando, e vamos deixar essas comunidades ocupadas, mesmo com problemas, muito melhores do que elas eram. Hoje o Rio de Janeiro conta com uma política de segurança visível, transparente e palatável."

Balanço. Até as 13 horas desta quinta, nove pessoas haviam sido presas na ocupação da Vila Kennedy e da Metral. Dois presos tinham mandados de prisão: um homem por receptação e outro por ameaça e injúria. E seis pessoas foram presas em flagrante. Duas motos e dois carros roubados foram recuperados; armas e drogas apreendidas.

As polícias Militar e Civil também deflagraram nesta quinta 22 operações em comunidades controladas pela mesma facção criminosa da Vila Kennedy. Robson Luís Borges, conhecido como Robinho da Vila Kennedy, foi preso por policiais da UPP do Complexo do Lins (zona norte). Ele tinha oito mandados de prisão pendente por roubo e é acusado de assassinar um policial civil no bairro do Grajaú, em julho de 2012.

No Morro do Chapadão, dois homens foram presos em flagrante e um menor, apreendido. Nas favelas de Antares e do Rola, na zona oeste, seis pessoas foram detidas com drogas e cinco radiotransmissores.

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