Beltrame: não há motivo para vários tiros em caso João Roberto

Secretário de Segurança do Rio admite que houve despreparo por parte de policiais militares envolvidos

Gustavo Miranda, estadao.com.br

07 de julho de 2008 | 16h16

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, admitiu nesta segunda-feira, 7, que houve falta de preparo dos policiais militares envolvidos no tiroteio que acabou com a morte do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, baleado no domingo à noite, durante uma perseguição policial na Tijuca, na zona norte do Rio. A equipe médica do hospital Copa D'Or, onde o menino foi internado durante a madrugada, confirmou que ele sofreu morte cerebral.   Veja também: Médicos confirmam morte cerebral de garoto atingido pela PM   "Não quero crucificar a corporação. Graças a Deus não tem acontecido muitos fatos semelhantes a esse. A gente não pode deixar que uma situação dessas aconteça, dentro da nossa política de transparência. Nós temos de revelar aquilo que está acontecendo. De maneira nenhuma esse fato deve ser ligado à política de segurança. Esse fato deve ser ligado à falta de preparo na hora de agir. Não há qualquer ligação entre o que aconteceu ontem (domingo) e a nossa política", afirmou o secretário, durante entrevista coletiva   O secretário afirmou que a informação que ele tem é de que a patrulha da PM estava trocando tiros com criminosos. Segundo o plantão da Polícia Militar, o tiroteio ocorreu a poucas quadras da 19ª Delegacia de Polícia, na movimentada Rua General Espírito Santo Cardoso. Os bandidos, que segundo a polícia foram perseguidos após o roubo de um carro na região, teriam fugido a pé para uma favela que fica nas proximidades. Na 19ª DP, um policial que não se identificou afirmou que "ouviu dizer" que foi mesmo a polícia que metralhou o carro da família, mas a corporação não se posicionou oficialmente.   Beltrame afirmou que as explicações sobre as ações dos policiais serão dadas a partir do inquérito que foi instaurado pela PM. Os policiais envolvidos na ação estão detidos e suas armas foram recolhidas. "Eu acho que essa explicação vai ser dada no inquérito. As pessoas estão presas, o inquérito está instaurado e as armas foram recolhidas. A tragédia já foi cometida. Mas, não há explicação para tantos tiros naquele veículo, sendo que ele não era foco de perseguição", afirmou.   Visivelmente desconfortável, o secretário pediu desculpas aos familiares do garoto, que está internado no Copa d'Or. "Eu me desculpo como secretário, pai, membro do governo do Estado, o próprio governador está muito consternado com a situação, que não é boa para ninguém. O que pudermos fazer para minimizar o que já é irreparável a secretaria está pronta para fazer. Eu não gostaria de estar passando a dor que ele (pai do menino) está."

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